A partir de 18 de maio de 2018, o Museu Dr. Joaquim Manso passará a disponibilizar um site, a partir do portal da Direção Regional de Cultura do Centro, pelo que este blogue não será atualizado, mas permanecerá como arquivo da nossa comunicação entre 2009 - maio 2018.
O novo site é um
novo recurso informativo à sua disposição.
Saiba mais sobre a nossa história e coleções, acompanhe as nossas iniciativas e conheça as nossas condições de visita em https://www.culturacentro.gov.pt/museu-dr-joaquim-manso/
Continue a acompanhar-nos aqui ou visite-nos!
Irene Natividade, "Cena da Praia"
Irene Natividade (1900-1995)
Cena da Praia, 1953
Aguarela sobre papel
alt. 49,5 x larg. 61,5 cm
Oferta da autora, 1976
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 51 Pint.
A Nazaré foi um dos temas preferidos pela pintora Irene Natividade. Nesta aguarela, a pintora descreve uma cena habitual na praia da Nazaré dos anos 1950, onde um grupo de pescadores e peixeiras se organiza em torno de um monte de peixe no areal, preparando-o para a venda.
Repare-se no pormenor de uma das mulheres, sentada, com uma criança ao colo enquanto trabalha; outra mulher ergue a meia altura um costal com peixe.
Irene Sá Vieira Natividade nasceu no Porto, em 1900. Mas, desde a sua infância, viveu em Alcobaça onde, em 1923, casou com Joaquim Vieira Natividade, homem de vulto no domínio da ciência, sobretudo nos campos da Agronomia e Silvicultura.
Assim como o seu marido, Irene sempre manifestou grande interesse pela Arte, História e Património da região, vindo a desenvolver um estreito convívio com autores como o escritor Afonso Lopes Vieira, ou os pintores Alberto de Sousa e Sousa Lopes.
Cedo evidenciou tendências artísticas que se revelaram por diversas áreas, como a pintura (a óleo e a aguarela), a tapeçaria (em seda e lã) e, a partir de 1925, também na pintura de peças de faiança artística.
Realizou a sua primeira exposição em Alcobaça, em 1951. Em 1952, expõe seis das suas tapeçarias em Lisboa e, em 1954, no Porto. Anos depois, em 1959, expõe uma coleção de tapeçarias no Museu José Malhoa, Caldas da Rainha.
Vinha com frequência à Nazaré e as cenas piscatórias ou as suas gentes foram pretexto para muitas das suas pinturas a óleo e a aguarela; algumas, obras terminadas, outras esboços ou estudos para futuras composições.
Em 1976, o Museu Dr. Joaquim Manso é inaugurado com uma exposição de Irene Natividade, de temática exclusivamente nazarena, sendo esse conjunto de pinturas oferecido pela autora a esta instituição, de que é exemplo a pintura em destaque.
Abílio, "Dança. Nazaré"
Abílio de Mattos e Silva (1908-1985)
Dança. Nazaré, 1966
Técnica mista sobre papel; 34x24 cm
Assinado e datado: "Abílio / 966"
Inscrição no canto inferior direito: “Dança. Nazaré”
Inscrição no verso: “aprovado”
Legado de Abílio e de Maria José Salavisa de Mattos e Silva, 1986
Museu Dr. Joaquim Manso Inv. 162 Des.
A 1 de abril de 2018 completam-se 110 anos do nascimento de Abílio de Mattos e Silva, pintor, cenógrafo e figurinista que viveu na Nazaré nos anos 1930 e representou os seus costumes e o seu traje tradicional em muitos dos seus desenhos, pinturas a óleo e guache, para além de cartazes e folhetos de promoção turística. É com a célebre peça de teatro "Tá-Mar", em 1936, que Abílio inicia uma longa carreira de cenógrafo e figurinista no domínio do bailado, da ópera e do teatro nacional.
“Dança. Nazaré” faz parte de um conjunto de ilustrações que Abílio produziu para a companhia área portuguesa TAP, para dar a conhecer aos viajantes os usos e costumes nacionais, entre os quais as danças da Nazaré.
Com edição de 1967, os cartões ilustrados eram oferecidos aos passageiros da companhia, contendo a reprodução desta ilustração de Abílio com um par dançando, acompanhada pela pauta e a letra de “Não vás ao mar, Tonho”.
A companhia encomendou ainda à Vista Alegre um serviço de louça, contendo a reprodução da mesma pintura.
Mais informação sobre Abílio de Mattos e Silva em MatrizNet
Avental de Festa
Avental de Festa
Cetim preto
alt. 82 x larg. 104 cm
Doado por Maria Otília Sales Sousinha, 1975
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 355 Etn.
Na Nazaré, o “traje de festa” é uma peça fundamental do traje feminino, exibido com orgulho. Para a altura da Páscoa, depois do tempo mais recolhido da Quaresma e da Procissão do Senhor dos Passos, as nazarenas reservavam os seus melhores aventais, muitas vezes bordados à mão pelas próprias.
Nos anos 1950-60, organizavam-se “concursos de traje” ou “concursos de avental”, sempre muito participados e com ampla projeção turística.
Ainda hoje, as mulheres que usam “saia de roda” gostam de ostentar os seus “aventais de festa” durante a Páscoa, embora o ponto manual seja cada vez mais substituído pelo trabalho à máquina.
Na sua versão de trabalho, no dia-a-dia, o avental apresenta-se com riscas e cores mais escuras. Mas, em momentos de festa, é no avental que se coloca a maior exuberância decorativa e cromática. O tecido é substituído por outro de melhor qualidade – seda ou merino fino –, e os pontos multiplicam-se. Surgem frutos, folhas de videira ou borboletas, mas mais comuns são os motivos florais, delimitando o avental ou, por vezes, preenchendo quase por completo toda a sua frente.
Segundo Abílio de Mattos e Silva (O Traje da Nazaré, ed. 1970), quanto à sua dimensão, quer de trabalho ou festa, eram em “ambos os casos bastante grandes, acompanhando a saia lateralmente e no comprimento, ou cobrindo-a ou deixando ver uma orlazinha”. À época (estudo realizado nos anos 1930), os aventais eram confecionados em duas alturas de pano inteiro. Mas, à medida que as saias foram subindo, nos anos 1950, passam de dois para um folho, de confeção mais simples.
Normalmente, o cós é uma tira que se prolonga nas fitas que o prendem atrás, em forma de grande laço, com pontas caídas e bordadas.
Este avental, oferecido ao Museu Dr. Joaquim Manso por Maria Otília Sales Sousinha, em 1975, é um modelo da primeira metade do século XX, com dois folhos iguais; o primeiro desce do cós e termina com recortes bordados largos e fundos, assim como o segundo. Por cima dos recortes, distribuem-se ramos com flores e folhas bordadas a fio de seda frouxa de várias cores a ponto matiz. As pontas das fitas são também recortadas.
+ Informação em MatrizNet.
Marcha "Carnaval é Nazaré"
Marcha “Carnaval é Nazaré”
Marcha Geral do Carnaval 1985
Música: Porfírio José do Carmo Laborinho
Letra: José Maria Barros Carepa
“É d'cêda a nossa gente
Tem o Carnaval na alma
A Nazaré é diferente
Este povo é uma corrente
Que só no correr se acalma”.
Fevereiro é o mês do Carnaval. A Nazaré “tem o Carnaval na alma”!
Desde há várias semanas que já é tempo de folia, com os bailes de máscaras e de rua, a feitura dos carros alegóricos, os ensaios, reuniões e jantares de preparação das saídas dos grupos, ranchos e bandas infernais.
O dia 3 de fevereiro marca o arranque oficial do Carnaval; nesse dia, já “ensaiados” (mascarados), os nazarenos concentram-se no sopé do Monte de São Brás ou São Bartolomeu e passam o dia em convívio, entre fogueiras e bailarico, alguns aventurando-se a subir a íngreme encosta até à pequena Capela de S. Brás situada no cimo.
No sábado magro, este ano também no dia 3 de fevereiro, saem à rua, durante todo dia, os vários grupos – os tradicionais “Bicicletas” (só homens, acompanhados por um bicicleta), os “Sakanagem” (grupo misto) e os grupos femininos “Trotinetas”, “Alberquêras” e “Tenantas”.
Depois vêm os cinco dias de Carnaval, sendo o Domingo Gordo animado pela passagem de testemunho dos Reis no Palácio Real e pela saída das Bandas Infernais, para além do cortejo alegórico pela marginal… Nestes dias, num ritmo incessante, todos os nazarenos se cruzam, “balham” e cantam nas ruas e várias salas de baile e bares, num envolvimento coletivo sem distinções sociais e idades.
Do Carnaval nazareno fazem também parte as “Marchas”, com letra e música realizadas localmente, que a rádio local ou, mais recentemente, as redes sociais vão divulgando diariamente. Todos querem ter uma marcha... grupos, coletividades, estabelecimentos comerciais, etc. As letras e as melodias são pretexto para a crítica social ou para a simples brincadeira; o importante é serem mais um fator de coesão comunitária, a ponto de se tornarem memoráveis e símbolos do Carnaval nazareno. Só elas se fazem ouvir...
O Museu Dr. Joaquim Manso possui uma vasta “Marchoteca”, sendo o documento mais antigo datado de 1928. Como Objeto do Mês de fevereiro 2018 destacamos a Marcha Geral do Carnaval de 1985, “Carnaval é Nazaré”. Convidamos todos os grupos a enviarem as suas marchas, através da iniciativa “Guarda a tua Marcha no Museu”, assim atualizando este repositório da memória nazarena do Carnaval.
Dizem que quem vive o Carnaval da Nazaré uma vez nunca mais fica igual. Como todo o nazareno, mal termina a Quarta-feira de Cinzas com o Enterro do Entrudo na Praia, já só pensa no próximo Carnaval...
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| Lança Cordeiro, "Carnaval na Praça Sousa Oliveira. Nazaré" (anos 1950?). MDJM |
Outros Objetos do Mês relacionados com o Carnaval da Nazaré:
Álvaro Laborinho, “Grupo Carnavalesco”, 1907. MDJM inv. 861 Fot.
Marcha de Carnaval de 1978 do Salão “Mar-Alto”
Foto Laborinho, “Banda Infernal do Sítio”, 1965. MDJM inv. 3232 Fot.
Álvaro Laborinho, “Grupo dos Moleiros – Carnaval”, 1928. MDJM inv. 1510 Fot.
"Festejando o São Brás", 1978. MDJM inv. 43-2-4 Fot.
Marcha do Salão Mar-Alto 1969. MDJM inv. 329/94 Doc.
Álvaro Laborinho, “Carnaval - uma família feliz - Cardina”, 1933. MDJM Inv. 1456 Fot.
Abílio, "Casario da Nazaré", 1934
Abílio de Mattos e Silva (Sardoal, 1908 – Lisboa, 1985)
Casario da Nazaré, 1934
Óleo sobre tela, 69x56 cm
Legado de Abílio de Mattos e Silva e Maria José Salavisa de Mattos e Silva (autor e esposa), 1986
MDJM inv. 122 Pint.
Em janeiro de 2018, destacamos uma obra de Abílio, pintor icónico da Nazaré, no ano em que se comemoram os 110 anos do seu nascimento.
Esta composição de um trecho urbano da Nazaré tradicional foi pintada em 1934, período em que o autor viveu nesta localidade.
Abílio foi pintor e ilustrador, elegendo como dois cenários fundamentais do seu trabalho a Nazaré e Óbidos, onde existe um museu com o seu nome. Natural do Sardoal, tendo iniciado o Curso de Direito em Lisboa, acaba por optar pela função pública e é nessa qualidade que vive na vila piscatória da Nazaré nos anos 1930. Mas, a partir de 1936, com a peça "Tá-Mar" de Alfredo Cortez, apresentada em Lisboa, Abílio inicia uma longa e notável carreira como cenógrafo e figurinista, traduzida em incontáveis realizações no domínio do Bailado, da Ópera e do Teatro.
Nas suas pinturas a óleo ou a aguarela, o autor reproduziu este e outros recantos da Nazaré, marcada pelo casario branco, ruas estreitas e pátios, sempre povoados por elementos da comunidade em diálogo, à conversa ou envolvidos nas suas atividades diárias. O seu interesse pela valorização do património da Nazaré, aliado ao seu trabalho de figurinista, conduzem-no a um exaustivo e pormenorizado levantamento sobre as características do traje tradicional da região, que reunirá no livro “O Trajo da Nazaré”, editado já nos anos 1970.
É também ele uma das primeiras vozes a defender a criação de um Museu da Nazaré, em 1955, intenção que se viria a concretizar apenas nos anos 1970.
O Museu Dr. Joaquim Manso possui uma assinalável coleção de desenhos, aguarelas e óleos de Abílio, legada à instituição em 1986 (assinalando o 10º Aniversário da Inauguração), pela esposa do artista, a decoradora Maria José Salavisa de Mattos e Silva.
+ Informação sobre Abílio em MatrizNet
+ Informação sobre esta pintura
Ex-Voto "Nossa Senhora da Nazaré"
Ex-Voto “Nossa Senhora da Nazaré”, 1776
Óleo sobre madeira, 22,2x31 cm
Doado por Noémia Garcia Calixto, 1982
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 171 Pint.
Dezembro remete-nos para a natividade; para além da quadra natalícia, em Portugal, até há poucos anos atrás, o Dia da Mãe era celebrado a 8 de dezembro.
Por isso, este mês, destacamos da nossa coleção um pequeno quadro que nos fala de nascimento e de um "milagre"!
Um “Ex-Voto” ou “Tábua de Milagre” é um objeto de devoção, frequentemente popular e realizado por um autor desconhecido, exprimindo o agradecimento a um santo ou à Virgem.
No Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, a par de outras modalidades de invocações e cumprimento de promessas, era frequente oferecer “à Senhora” pequenos quadros como este ex-voto da coleção do Museu Dr. Joaquim Manso, que invoca o agradecimento da devota a Nossa Senhora da Nazaré por a ter salvo de um parte doloroso, em 1776.
Produzida a óleo sobre madeira, a pintura narra vários momentos do episódio milagroso; repare-se na representação do quarto de dormir com mobiliário de certo requinte, em cuja cama de dossel se vê a parturiente rodeada por várias figuras, uma delas um padre orando, outra amamentando uma criança e outra embalando-a no berço. O marido da devota, ajoelhado e de mãos postas, reza à Virgem, perante um quadro pintado de grandes dimensões, suspenso na parede, representando o Milagre de Nossa Senhora da Nazaré a D. Fuas Roupinho.
Como habitual, sob a área pintada, descreve-se o milagre através de uma legenda, já parcialmente omissa, mas que inicia por “Milagre que fes Nossa Senhora da Nazareth a Dona Roza que estando muito mal de hum parto (...)”.
Pescador do Bacalhau
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| © ADF/DGPC, José Pessoa |
Leopoldo de Almeida (1898-1975)
Pescador do Bacalhau, 1944
Gesso patinado, alt. 68 cm
Oferta do autor, 1975
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 19 Esc.
As longas campanhas nos navios da pesca do bacalhau marcaram gerações de homens da costa portuguesa. Decorriam sobretudo entre março e outubro, quando a chamada “Frota Branca” enchia os frios mares do Norte.
Muitos foram os pescadores da Nazaré que andaram ao bacalhau. Em busca de melhores condições de vida, e perante a incerteza da pesca local, as campanhas do bacalhau fazem parte das “histórias de vida” de muitos nazarenos.
As partidas e chegadas aos portos eram momentos de grande emoção, vividos entre lágrimas e sorrisos, com a presença de muitos familiares.
Esta escultura de Leopoldo de Almeida transmite-nos uma representação idealizada do Pescador do Bacalhau. Descalço, em ligeiro contraposto, com olhar cabisbaixo, como que em momento de descanso, veste camisola e calças arregaçadas, sendo o sueste que lhe cobre a cabeça o principal elemento que o associa à Faina Maior.
Produzida em 1944, período áureo desta pesca, esta escultura integra-se também na época das grandes encomendas públicas fomentadas pelo Estado Novo, para as quais Leopoldo de Almeida foi um dos principais escultores, com obras que correspondem ao programa ideológico e estético do regime e da “Política do Espírito” de António Ferro. O pescador do bacalhau é, assim, erguido a herói, numa representação dentro do ideário classicizante do autor, que escamoteia as agruras das campanhas no frio dos Bancos da Terra Nova e da Gronelândia.
+ informação em MatrizNet
O Museu Dr. Joaquim Manso é detentor de vários objetos e documentação associada à pesca do bacalhau, doados por artistas e pela comunidade. Conheça aqui alguns desses objetos:
Sueste
Camisola
Botas
Zagaia
Creoula
Algumas expressões nazarenas relacionadas com a pesca do bacalhau:
Seca fatos de oleado
O Bacalhau e América vai Tud' M'rrer à Faneca
Lázaro Lozano, "Esboço para um quadro"
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©
José Pessoa/ADF
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Bonifácio Lázaro Lozano (Nazaré, 1906 – Madrid, 1999)
Esboço para um quadro, 1977
Pastel e aguarela sobre papel
Oferta do autor, 1979
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 97 Pint.
Conforme anotação manuscrita no canto inferior esquerdo, esta pintura é um estudo para uma obra posterior, com figuras e temática associada à Nazaré, onde o artista nasceu e viveu durante alguns anos.
Bonifácio Lázaro Lozano, de ascendência espanhola, nasceu em 1906 na Nazaré, localidade piscatória onde viviam seus pais com outros dois filhos. No ano seguinte, a família ruma a Setúbal, onde se estabelece com uma fábrica de conservas.
Cedo, Lázaro Lozano demonstrou gosto pela arte; foi aluno Veloso Salgado na Escola de Belas-Artes de Lisboa e conclui a sua formação em 1931, em Madrid, na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando.
Em 1934, com uma bolsa de estudo dessa instituição, escolhe a Nazaré como destino por dois anos. Aqui, deixa-se impressionar pelas gentes do mar, pintando retratos individualizados ou cenas de grupos, com rostos vigorosos e fortes, mas também sofredores, envolvidos no desenrolar de atividades piscatórias ou em cenários indefinidos.
Com uma vida repartida entre Portugal e Espanha, a sua obra é vasta e distribui-se por várias fases, desde as formas mais simples a uma forte carga expressiva. Mas as figuras da Nazaré são uma presença constante.
Para além do Museu da Nazaré, Lázaro Lozano está representado noutras instituições, como o Museu José Malhoa (Caldas da Rainha), o Museu Nacional de Arte Contemporânea (Lisboa), o Museu Dr. Santos Rocha (Figueira da Foz) e o Museu de Setúbal (Convento de Jesus); em Espanha, destaque para o Museu de la Real Academia de San Fernando, o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Madrid) e o Museo de Bellas Artes de Badajoz.
+ informação sobre esta e outras obras de Lázaro Lozano no Museu Dr. Joaquim Manso em MatrizNet
Lâmina "Milagre de Nossa Senhora da Nazaré"
Registo de Santo ou Lâmina ou Chapa
"Milagre de Nossa Senhora da Nazaré", séc. XX
Virgínia Teixeira Peixoto, Sítio da Nazaré
diam. 13 cm
Doado por Noémia Tito Calixto, 1982
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 330 Grav.
Em setembro, decorrem as Festas em Honra de Nossa Senhora da Nazaré, cujo dia se celebra no dia 8. O culto a Nossa Senhora da Nazaré motivou a criação de "lâminas" ou "lâmedas" ou "chapas", trabalhos populares com uma dupla função, votiva e recordação da deslocação do peregrino ao Santuário.
Por norma são pequenos quadros (rectangulares, alguns circulares), preparados para serem suspensos na parede ou em pequeno oratório.
São realizados a partir de uma gravura (“registo de santo” do Milagre de Nossa Senhora da Nazaré a D. Fuas Roupinho), envolta por pormenores florais ou outros elementos alusivos ao mar e à pesca, pintados a anilina ou realizados com colagens de papéis coloridos e tecido. Protege a composição um vidro delimitado por filete colorido ou uma a “caixa de vidro” com moldura mais ou menos elaborada.
Eram vários os “santeiros” que se dedicavam a este trabalho no Sítio da Nazaré. Entre eles destacou-se Virgínia Teixeira Peixoto, de cujos trabalhos o Museu Dr. Joaquim Manso possui uma colecção significativa, de que é exemplo a peça em destaque durante o mês de setembro.
Este é um trabalho artístico popular com base num "registo de santo" do Milagre de Nossa Senhora da Nazaré, coberto de acetato com moldura bordada por cercadura de duplo foliculado; em volta desta moldura, um círculo igualmente em fio metálico envolve lantejoulas avermelhadas com caule metálico simbolizando flores; tem ainda um remate em forma de estrela, decorada com duas fiadas de fio metálico, igualmente enfeitadas com lantejoulas de cor vermelha e pétalas douradas.
Assenta num círculo de prata verde, que, por sua vez, está colado em fundo de prata branca.Todo o conjunto está colado em cartão e a moldura é de formato circular em metal, com aselha metálica, suspensa por uma fita de veludo vermelho, que agarra num motivo decorativo metálico para pendurar.
+ informação em MatrizNet
Consultar outras lâminas "Objeto do Mês".
Abílio, "Casais em trajo de festa"
Abílio de Mattos e Silva (1908-1985)
“Casais em trajo de festa”, s.d.
técnica mista sobre papel
alt. 29,5 x larg. 20 cm
legado de Abílio de Mattos e Silva e de Maria José Salavisa de Mattos e Silva (autor e esposa), 1986
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 126 Des.
A Nazaré é uma terra que promove paixões, encontros singulares com a natureza e a vivência muito própria das gentes do mar, fortalecendo o desejo de regressar. Muitos dos que por aqui passaram ficaram encantados com a beleza da paisagem e da praia, com o tipicismo e rostos das gentes e com as cores e formas do seu trajar. Assim aconteceu com Abílio de Mattos e Silva (1908-1985).
Esta pintura insere-se na temática nazarena da obra do pintor, possivelmente realizada durante o período em que residiu na Nazaré, nos anos 1930.
Pintor e ilustrador, elegendo a Nazaré e Óbidos como dois cenários fundamentais do seu trabalho, com a peça "Tá-Mar" de Alfredo Cortez, Abílio inicia uma longa e notável carreira como cenógrafo e figurinista, traduzida em incontáveis realizações no domínio do Bailado, da Ópera e do Teatro.
Em 1986, no 10º Aniversário do Museu Dr. Joaquim Manso, as suas obras relacionadas com a Nazaré são legadas a esta instituição, nomeadamente um conjunto assinalável de desenhos e pinturas que servem de ilustração à investigação meticulosa realizada por Abílio sobre o traje da Nazaré, de que resulta o livro “O traje da Nazaré”, publicado em 1970. É exemplo esta pintura “Casais em trajo de festa”.
+ Informação em MatrizNet.
Busto do Dr. Joaquim Manso
António da Costa
Busto do Dr. Joaquim Manso, 1926
Bronze, alt. 30 cm
MDJM inv. 22 Esc.
“Portugal, país situado a ocidente da Península, banhado pelo Oceano, com seis milhões de habitantes. Com estas resumidas noções, a nossa história não tem explicação, se a não contarmos como um prodígio, à face do mundo”.
Excerto do livro de Joaquim Manso, “Malícia sem Maldade”, Livraria Bertrand, 1937.
Completando-se a 6 de junho mais um aniversário do Museu Dr. Joaquim Manso, destacamos este mês o busto do seu patrono, oferecido pelos trabalhadores do jornal “Diário de Lisboa”, no ano da inauguração do Museu, em 1976.
Joaquim Manso (Cardigos, 1878 – Lisboa, 1956) foi jornalista, escritor e ensaísta. Formado em Teologia, ordenou-se sacerdote e, nessa qualidade, foi autor de algumas brochuras intituladas “Commentarios” (1901-03), assinadas por Padre Manso. A seu pedido, libertou-se dos votos religiosos e, em 1913, obteve o grau de bacharel em Direito.
Fundou (1921) e dirigiu o conhecido “Diário de Lisboa” durante 35 anos, tendo já antes colaborado em publicações periódicas como a “A Capital” e a “Pátria”, ou as revistas “Arte & Vida” (1904-06) e “Atlântida” (1915-20).
Foi secretário de Bernardino Machado, enquanto Ministro dos Estrangeiros; Governador Civil de Vila Real; sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e professor do Conservatório Nacional de Lisboa, onde regeu a cadeira de “Literaturas Dramáticas”.
Autor de vasta produção literária, de que se refere, entre outros, os seguintes títulos: "O Pórtico e a Nave"; "Fábulas"; "Malícia sem maldade"; "Os Amores de Pedro e Inês"; "O Fulgor das Cidades"; "Alma Inquieta"; "Pedras para a Construção dum Mundo"; "Manoel"; "Primavera da Lenda"; "A Consciência Nua e Abandonada".
Entre os vários amigos, contam-se alguns nazarenos, entre eles o construtor civil Amadeu Gaudêncio. Dessa amizade resultaram várias deslocações à Nazaré e um gosto pela cultura desta vila piscatória.
Este Museu encontra-se instalado na sua antiga casa de veraneio, doada ao Estado em 1968, para aqui se instalar o Museu da Nazaré, tendo sido condição do seu doador - Amadeu Gaudêncio -, que o mesmo tivesse o nome de “Museu Etnográfico e Arqueológico do Dr. Joaquim Manso”, em homenagem ao homem que tanto divulgara a cultura nazarena nas suas palestras e lides jornalísticas.
Anos mais tarde, o Museu vem a receber parte da sua coleção de arte e espólio epistolar.
Para “saber +” sobre Joaquim Manso e conhecer as obras da sua coleção neste Museu, consulte o MatrizNet.
Foquim
Foquim
Madeira
Doador António Meca da Felismina
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 548 Etn.
Em maio, no ano em que celebra o Centenário das Aparições de Fátima, destacamos o foquim pintado por Manuel Meca Bombas, que tem a particularidade de reunir ambas as devoções marianas da região, tendo na tampa a pintura do multissecular Milagre de Nossa Senhora da Nazaré e, no seu verso, a representação da Aparição de Nossa Senhora de Fátima aos Pastorinhos.
O foquim era um recipiente em madeira utilizado pelos pescadores para levarem o farnel e outros pertences para a faina no mar. De forma cilíndrica, possui uma tampa com asa para ser facilmente transportado.
Cada pescador possuía o seu foquim, pintado com símbolos ou decorações simples. Mas, de objeto utilitário, eterno “companheiro do pescador quando vai ou regressa do mar”, o foquim acabou por se tornar num adereço decorativo do traje tradicional do pescador e motivo de vários concursos nas décadas de 1950 e 1960, nomeadamente no mês de Abril, na altura da Páscoa (“Avril au Portugal”).
Alguns são verdadeiras obras de arte popular. É o caso deste foquim, pintado pelo nazareno Manuel Meca Bombas, que apresenta peixes cinzentos e azuis, mas cujo principal interesse reside na decoração da tampa com o Milagre de Nossa Senhora da Nazaré. Na parte interior da mesma, inclui-se a representação da Aparição da Nossa Senhora de Fátima aos Pastorinhos, o que exprime a grande religiosidade da comunidade piscatória, tão sujeita aos naufrágios e desventuras do mar, que é simultaneamente fonte de alimento e alegrias, assim como de dor e morte.
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| Foquim. MDJM inv. 548 Etn. Fotografia DGPC/ADF |
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En mai, quand on célébre le Centenaire des Apparitions de Fátima, nous présentons le «Foquim» peint par Manuel Meca Bombas. Il joint deux dévotions mariales de la région – à la couverture, on voit la représentation du Miracle de Notre-Dame de Nazaré et, dans le vers, la représentation de la Apparition de Notre-Dame de Fátima aux Bergers.
Le foquim était un récipient en bois utilisé par les pêcheurs pour prendre les aliments pour aller à la mer. Il est devenu un accessoire du costume traditionnel du pêcheur, participant en plusieurs concours dans les années 1950 et 1960, au moment de la Pâque (« Avril au Portugal »).
Certains sont de véritables œuvres d'art populaire. Tel est le cas de ce «foquim», qui exprime la religiosité des pêcheurs soumis aux dangers de la mer.
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In May, when we celebrate the Centenary of the Fátima Apparitions, we highlight the “Foquim” painted by Manuel Meca Bombas. It brings together both Marian devotions of the region, with the cover painting of the multissecular Miracle of Our Lady of Nazaré and, in its verse, the representation of the Apparition of Our Lady of Fátima to the Shepherds.
The foquim was a wooden vessel used by the fishermen to carry their food as they went out to sea. It became an adornment of the fisherman's traditional costume and participated in several contests in the 1950s and 1960s ("Avril au Portugal").
Some are true works of folk art. This is the case of this “foquim”, which expresses the religiosity of the fishing community who daily faces up the dangers of the sea.
+ INFORMAÇÃO em MatrizNet.
"Nazaré", de João Fragoso
“Nazaré”, 1974
bronze, alt. 40 cm
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 28 Esc.
Escultura com desenvolvimento vertical, definida por vários elementos ondulantes sobrepostos, que evocam a movimentação do mar. Numa linguagem de compromisso com o registo abstracto ou conceptual, esta pequena escultura representa o Milagre de Nossa Senhora da Nazaré a D. Fuas Roupinho, um milagre também ele arreigado de presença marítima.
João Fragoso dedicou parte significativa da sua obra escultórica à temática marítima. Mas, esta foi a única escultura da "Fase Mar" dedicada a uma terra – a Nazaré.
Nesta vila piscatória, em 1981, o artista apresenta a exposição “João Fragoso Fase Mar e 16 desenhos de pescadores”, de que existe o respetivo catálogo, assim como “O Mar e a Arte Minimal. João Fragoso” (1985), publicações editadas pelo Museu Dr. Joaquim Manso.
Projeta ainda um “Monumento ao Homem do Mar” em cuja maqueta em gesso, guardada no Município da Nazaré, uma figura masculina em contorção unir-se-ia com uma Onda, definindo um círculo onde mar e homem se fundiriam numa essência comum.
“Nazaré” foi adquirida ao autor no âmbito de uma exposição realizada no Museu de José Malhoa, nas Caldas da Rainha, em 1978.
Barco “Senhor dos Passos”
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| Imagem: IFN 20965, José Pessoa / DGPC |
Barco “Senhor dos Passos” (miniatura)
Adquirido ao autor, Augusto Sabino, Nazaré, 1988
madeira, comp. 39 cm
MDJM inv. 1149 Etn.
O nome desta embarcação evoca uma das mais antigas e tradicionais manifestações da religiosidade popular da Nazaré – a “Procissão do Senhor dos Passos”, que normalmente decorre em março, no 4º fim-de-semana da Quaresma.
O barco original "Senhor dos Passos" era propriedade de Bento Estrelinha, com o registo N 1326 L. Foi construído na Nazaré por Júlio do Carmo Salvador, sendo registado em 7 de Maio de 1936.
Destinava-se à pesca costeira como auxiliar ou dentro da enseada da Nazaré. A partir de 28 de Fevereiro de 1974, dedicou-se à pesca local com arte xávega.
Era uma embarcação com as seguintes dimensões: comp. 4,29 m; boca 0,79 m; ton.bruto1,618 t.
Esta miniatura foi realizada por Augusto Sabino, em 1988, respeitando as cores originais da embarcação, vermelho, branco, preto e azul.
Trata-se de uma miniatura de embarcação de boca aberta, de fundo chato, com tábua de armar, remate da proa em forma de bico elevado e pontiagudo, popa com painel ou cortada rematada pelos respectivos cepo e corrimão. Apresenta coberta arqueada "pélé" e, sobre esta, duas travessas – fiéis – funcionando a inferior também como banco. Além do banco da ré, dois bancos apoiados sobre os dormentes e com as respectivas anteparas (para apoio dos pés dos remadores). Formada pelo "pau do meio" e último banco a "casa de água". À proa e à ré, um paneiro.
Aparelhado com 4 remos, 2 odres, 2 ferros, 1 seminho, 1 vertedouro, 1 xalavar, 1 rede, boça.
A "Procissão do Senhor dos Passos" é uma das mais antigas e tradicionais manifestações da religiosidade popular da Nazaré. Ao longo dos tempos, a Irmandade do Senhor dos Passos, sediada na Igreja da Misericórdia, na Pederneira, tem tido a seu cargo a sua organização, durante a Quaresma. Segundo Brito Alão, foi instituído em 1619 o caminho seguido por esta procissão até ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, no Sítio. Este itinerário é sensivelmente o mesmo que o cortejo ainda hoje percorre.
Na Nazaré, a Procissão do Senhor dos Passos decorre em três dias: sábado, domingo (4º domingo da Quaresma) e segunda-feira. No sábado, à tarde, a procissão, precedida de rituais próprios, sai da Igreja da Misericórdia na Pederneira, encaminhando-se para o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, no Sítio. No domingo, realiza-se a mais solene procissão destas festividades, tendo lugar o "Sermão do Encontro" (andores com a imagem do Senhor dos Passos e da imagem da Sua Dolorosa Mãe, a Senhora da Soledade), dirigindo-se, posteriormente, também para a Igreja do Sítio. Na segunda-feira, à tardinha, é a procissão do regresso à Igreja da Misericórdia, na Pederneira, onde permanecerão as imagens deste acto do culto.
+ Informação sobre este objeto em MatrizNet.
Algibeira
Tecido de algodão e várias outras fibras
Dimensões: alt. 32 x larg. 20; 12 cm
Oferta da autora
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 249 Etn.
Acessório do traje feminino tradicional da Nazaré, esta algibeira foi realizada pela costureira Celeste Lúcio dos Santos, natural do Sítio (4 março 1902 – 22 fevereiro 1997).
A “algibeira” é cingida à cintura da mulher por atilhos (um de cada lado). Para maior segurança, é resguardada sob a “saia de cima”, sempre do lado direito e fixada à “saia de baixo” por um alfinete de dama. Serve para a mulher transportar o dinheiro ou "papéis de valor"; continha, muitas vezes, um amuleto (conhecido por "Breve") como forma de proteção e/ou superstição religiosa.
É uma bolsa confecionada com retalhos de diferentes cores e qualidades (escocês, castorina, …). De corte arredondado, tem duas entradas na parte da frente e uma na posterior, que fecham com botão. Na parte superior e de cada lado, leva um “fitilho” de algodão para cingir à cintura. A metade inferior é sub-circular e tem a aparência de um vaso cintado de boca larga. É debruada a toda a volta por uma tira de tecido florido.
Em situações de luto, também a algibeira usada é de cores escuras ou totalmente preta.
Ainda hoje é utilizada pelas mulheres que continuam a vestir “saia de roda” no seu quotidiano.
Mais informação sobre esta algibeira em:
MatrizNet
Mais informação sobre esta e outras algibeiras da coleção do Museu Dr. Joaquim Manso em:
MatrizNet
Mais informação sobre o projeto “Conversas de Algibeira”, desenvolvido de parceria entre o Museu Dr. Joaquim Manso e a Universidade Sénior da Nazaré (2010):
http://mdjm-nazare.blogspot.pt/2010/03/universidade-senior-da-nazare-visita.html
http://mdjm-nazare-objectodomes.blogspot.pt/2010/03/algibeiramdjm-inv.html
Mais informação sobre esta algibeira em:
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Mais informação sobre esta e outras algibeiras da coleção do Museu Dr. Joaquim Manso em:
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Mais informação sobre o projeto “Conversas de Algibeira”, desenvolvido de parceria entre o Museu Dr. Joaquim Manso e a Universidade Sénior da Nazaré (2010):
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http://mdjm-nazare-objectodomes.blogspot.pt/2010/03/algibeiramdjm-inv.html
Fio de algodão
Fio de algodão
comprimento: 13190 cm
século XX d.C
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 1124 Etn.
Na Nazaré, a pesca de arte xávega foi uma pesca artesanal recorrente durante anos, tendo-se deixado de praticar no final dos anos 1980.
Para os seus pescadores, fios como este eram a base para a constituição da respectiva rede ou arte.
Trata-se de um fio de algodão usado para "entralhar" (tecer) a rede da arte xávega, também denominado “cavalgar”. Era encascado, ou seja, tingido de escuro através da utilização de alfarroba ou aroeira. Compõe-se de quatro meadas com os seguintes comprimentos: 34,60 m; 34,30 m; 34,40 m; 28,60 m.
Doado em 1985 por Joaquim Codinha Bagos, pescador da Nazaré, que andou também na pesca do bacalhau e, posteriormente, foi proprietário de uma embarcação (pesca artesanal e do alto).
Baú de pescador
Baú de pescador
folha zincada e policromada
alt. 23 x larg. 36,5 x prof. 29,5 cm
Doado por José Avelino Maranhão Grilo, 2016
MDJM inv. 2098 Etn.
Este baú pertenceu a Joaquim Lourenço Alexandre, que foi pescador na Nazaré por conta de outro. Servia para transportar o farnel e outros pertences para o mar.
Trata-se de uma caixa metálica de formato rectangular e pintada de azul, com tampa convexa decorada com duas listas amarelas e pega ao centro enrolada por corda pintada de amarelo. Nos dois lados mais estreitos, apresenta pintura de uma bóia de salvação.
Por norma, estes baús eram comprados em folha zincada, sendo posteriormente pintados ao gosto do pescador seu proprietário, com temas mais ou menos naïf e alusivos ao mar e à pesca.
Substituto do tradicional foquim em madeira, estes baús foram depois substituídos pelas atuais lancheiras em material plástico.
Em exposição no Museu, durante o mês de dezembro.
Medalha de condecoração a pescador
atribuída pelo Instituto de Socorros a Náufragos, séc. XX
2,5 cm (diâmetro)
Doada por Joaquim Oliveira (Espólio de Eurico Castro e Silva), 1972
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 10 Med.
Medalha de condecoração atribuída a um pescador, pelo Instituto de Socorros a Náufragos, reconhecendo a sua ação em momento de salvamento no mar.
Durante o inverno, à Nazaré, cada vez mais acorrem turistas e desportistas para admirar a grandiosidade das suas ondas. No entanto, recentemente descobertas pelos surfistas de todo o mundo, na região, as ondas desde sempre constituíram um desafio para quem lida com o mar diariamente.
Como escreveu Artur Pastor (“Nazaré. Portugal”, 1958), “o mar típico da Nazaré, que evoca a luta e a tragédia – é o mar onde só os grandes se arriscam”.
Até meados do século XX, em embarcações de madeira, movidas a remos ou com auxílio de velas, as companhas faziam-se ao mar, nem sempre sabendo nadar. A súbita mudança do estado do mar, a ondulação forte ou outro motivo inesperado podia converter-se em perigo eminente de naufrágio.
Para prestar apoio às vítimas, em 1901, é reorganizado o Serviço de Socorros a Náufragos, fundado pela Rainha D. Amélia. Na Nazaré, na dita “Casa da Barca”, localizada no edifício da Capitania, a Barca Salva-Vidas “Nossa Senhora dos Aflitos”, com as suas cores branco e vermelho, estava sempre pronta para entrar ao mar em caso de aflição; foi seu primeiro “patrão” Joaquim Bernardo de Sousa Lobo.
Durante décadas, vários pescadores praticaram salvamentos em atos de verdadeiro heroísmo que lhes mereceram, por parte do Instituto de Socorros a Náufragos, várias condecorações e reconhecimento público.
É exemplo esta medalha, assim como outras que integram a coleção do Museu Dr. Joaquim Manso.Em emolduramento, sugerindo duas âncoras cruzadas, a medalha circular regista, ao centro, a legenda "SPES". No verso, "V.G". Um rebordo branco apresenta a legenda: "I.S.N. Caridade Filantropia". Fita de suspensão verde com risca branca ao centro.
Consulte mais medalhas e diplomas de condecoração da coleção do Museu Dr. Joaquim Manso na base de dados MatrizNet.
Procissão de Nossa Senhora da Nazaré, andor
Álvaro Laborinho (1879 - 1970)
Procissão de Nossa Senhora da Nazaré, andor, 8 setembro 1931
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 1400 Fot.
Setembro é o mês das Festas na Nazaré!
A 8 de setembro, dia em que a Igreja assinala a Natividade de Nossa Senhora, celebra-se o Dia de Nossa Senhora da Nazaré, sendo este o feriado municipal da Nazaré, vila onde o Museu Dr. Joaquim Manso se encontra localizado.
Esta é uma fotografia da autoria do nazareno Álvaro Laborinho, de um aspecto da Procissão de Nossa Senhora da Nazaré, no Sítio, a 8 de setembro de 1931. Em primeiro plano, à direita, dispõem-se o padre e elementos da Irmandade; à esquerda, o pálio e o andor com a imagem de Nossa Senhora da Nazaré. Em segundo plano, acumulam-se os crentes. Atrás, avista-se uma parte do edifício do Palácio Real e do Santuário.
CONTA A LENDA que, em 14 de setembro de 1182, quando D. Fuas Roupinho, alcaide-mor do Castelo de Porte de Mós, andava à caça nesta região, terá encontrado um veado. Ao ser perseguido, o veado, que seria o demónio disfarçado, precipita-se do alto do promontório sobre o mar, salvando-se D. Fuas miraculosamente, por intercessão de Nossa Senhora da Nazaré, cuja imagem aí estava escondida numa pequena gruta e, segundo a tradição, fora executada pelo próprio São José, em Nazaré da Palestina, e trazida pelo último rei godo, D. Rodrigo, e Frei Romano. Em ação de graças, nesse local, D. Fuas mandou construir a pequena Ermida da Memória e, a partir do séc. XIV, tem início a edificação do Santuário, que desde sempre recebeu a proteção real e que ainda hoje acolhe numerosos peregrinos e turistas.
COM A DIVULGAÇÃO DOS MILAGRES DA SENHORA DA NAZARÉ, o "Sítio" (do Milagre) converteu-se num importante centro de peregrinação e o culto estendeu-se quer dentro do país quer além-fronteiras, pelo império português, tendo hoje significativa expressão no Brasil, em Belém do Pará. Anualmente, em setembro, aqui se realizam as "Festas em Honra de Nossa Senhora da Nazaré" (cf. CNSN), atraindo vários Círios, o mais conhecido o "Círio da Prata Grande" (saiba + aqui).
O MUSEU DR. JOAQUIM MANSO – MUSEU DA NAZARÉ, para além do espólio fotográfico, possui numerosas obras referentes a esta solenidade e culto em honra de Nossa Senhora da Nazaré, desde uma importante coleção de “registos de santo”, “lâminas”, obras de arte, ourivesaria e objetos etnográficos vários.
Consulte outras edições do “Objeto do Mês de Setembro” sobre as Festas em Honra de Nossa Senhora da Nazaré:
- Mário Botas, “Milagre de Nossa Senhora da Nazaré”
- "Tábua de Milagre", 1776 - Lâmina de Nossa Senhora da Nazaré
- A Biblioteca sugere: http://mdjm-nazare-lojaebiblioteca.blogspot.pt/2012/09/lendas-de-portugal.html
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informação sobre esta fotografia no MatrizNet
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