Estamos no novo site do Museu!

A partir de 18 de maio de 2018, o Museu Dr. Joaquim Manso passará a disponibilizar um site, a partir do portal da Direção Regional de Cultura do Centro, pelo que este blogue não será atualizado, mas permanecerá como arquivo da nossa comunicação entre 2009 - maio 2018.

O novo site é um novo recurso informativo à sua disposição.
Saiba mais sobre a nossa história e coleções, acompanhe as nossas iniciativas e conheça as nossas condições de visita em http://drcc.qs.pt/museu-dr-joaquim-manso/ 

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Irene Natividade, "Cena da Praia"



Irene Natividade (1900-1995)
Cena da Praia, 1953
Aguarela sobre papel
alt. 49,5 x larg. 61,5 cm
Oferta da autora, 1976
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 51 Pint.


A Nazaré foi um dos temas preferidos pela pintora Irene Natividade. Nesta aguarela, a pintora descreve uma cena habitual na praia da Nazaré dos anos 1950, onde um grupo de pescadores e peixeiras se organiza em torno de um monte de peixe no areal, preparando-o para a venda.

Repare-se no pormenor de uma das mulheres, sentada, com uma criança ao colo enquanto trabalha; outra mulher ergue a meia altura um costal com peixe.

Irene Sá Vieira Natividade nasceu no Porto, em 1900. Mas, desde a sua infância, viveu em Alcobaça onde, em 1923, casou com Joaquim Vieira Natividade, homem de vulto no domínio da ciência, sobretudo nos campos da Agronomia e Silvicultura.

Assim como o seu marido, Irene sempre manifestou grande interesse pela Arte, História e Património da região, vindo a desenvolver um estreito convívio com autores como o escritor Afonso Lopes Vieira, ou os pintores Alberto de Sousa e Sousa Lopes.

Cedo evidenciou tendências artísticas que se revelaram por diversas áreas, como a pintura (a óleo e a aguarela), a tapeçaria (em seda e lã) e, a partir de 1925, também na pintura de peças de faiança artística.

Realizou a sua primeira exposição em Alcobaça, em 1951. Em 1952, expõe seis das suas tapeçarias em Lisboa e, em 1954, no Porto. Anos depois, em 1959, expõe uma coleção de tapeçarias no Museu José Malhoa, Caldas da Rainha.

Vinha com frequência à Nazaré e as cenas piscatórias ou as suas gentes foram pretexto para muitas das suas pinturas a óleo e a aguarela; algumas, obras terminadas, outras esboços ou estudos para futuras composições.

Em 1976, o Museu Dr. Joaquim Manso é inaugurado com uma exposição de Irene Natividade, de temática exclusivamente nazarena, sendo esse conjunto de pinturas oferecido pela autora a esta instituição, de que é exemplo a pintura em destaque.


Abílio, "Dança. Nazaré"




Abílio de Mattos e Silva (1908-1985)
Dança. Nazaré, 1966
Técnica mista sobre papel; 34x24 cm
Assinado e datado: "Abílio / 966"
Inscrição no canto inferior direito: “Dança. Nazaré”
Inscrição no verso: “aprovado”
Legado de Abílio e de Maria José Salavisa de Mattos e Silva, 1986
Museu Dr. Joaquim Manso Inv. 162 Des.


A 1 de abril de 2018 completam-se 110 anos do nascimento de Abílio de Mattos e Silva, pintor, cenógrafo e figurinista que viveu na Nazaré nos anos 1930 e representou os seus costumes e o seu traje tradicional em muitos dos seus desenhos, pinturas a óleo e guache, para além de cartazes e folhetos de promoção turística. É com a célebre peça de teatro "Tá-Mar", em 1936, que Abílio inicia uma longa carreira de cenógrafo e figurinista no domínio do bailado, da ópera e do teatro nacional.

“Dança. Nazaré” faz parte de um conjunto de ilustrações que Abílio produziu para a companhia área portuguesa TAP, para dar a conhecer aos viajantes os usos e costumes nacionais, entre os quais as danças da Nazaré.

Com edição de 1967, os cartões ilustrados eram oferecidos aos passageiros da companhia, contendo a reprodução desta ilustração de Abílio com um par dançando, acompanhada pela pauta e a letra de “Não vás ao mar, Tonho”.

A companhia encomendou ainda à Vista Alegre um serviço de louça, contendo a reprodução da mesma pintura.


Mais informação sobre Abílio de Mattos e Silva em MatrizNet

Avental de Festa




Avental de Festa
Cetim preto
alt. 82 x larg. 104 cm
Doado por Maria Otília Sales Sousinha, 1975
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 355 Etn.


Na Nazaré, o “traje de festa” é uma peça fundamental do traje feminino, exibido com orgulho. Para a altura da Páscoa, depois do tempo mais recolhido da Quaresma e da Procissão do Senhor dos Passos, as nazarenas reservavam os seus melhores aventais, muitas vezes bordados à mão pelas próprias.

Nos anos 1950-60, organizavam-se “concursos de traje” ou “concursos de avental”, sempre muito participados e com ampla projeção turística.

Ainda hoje, as mulheres que usam “saia de roda” gostam de ostentar os seus “aventais de festa” durante a Páscoa, embora o ponto manual seja cada vez mais substituído pelo trabalho à máquina.

Na sua versão de trabalho, no dia-a-dia, o avental apresenta-se com riscas e cores mais escuras. Mas, em momentos de festa, é no avental que se coloca a maior exuberância decorativa e cromática. O tecido é substituído por outro de melhor qualidade – seda ou merino fino –, e os pontos multiplicam-se. Surgem frutos, folhas de videira ou borboletas, mas mais comuns são os motivos florais, delimitando o avental ou, por vezes, preenchendo quase por completo toda a sua frente.

Segundo Abílio de Mattos e Silva (O Traje da Nazaré, ed. 1970), quanto à sua dimensão, quer de trabalho ou festa, eram em “ambos os casos bastante grandes, acompanhando a saia lateralmente e no comprimento, ou cobrindo-a ou deixando ver uma orlazinha”. À época (estudo realizado nos anos 1930), os aventais eram confecionados em duas alturas de pano inteiro. Mas, à medida que as saias foram subindo, nos anos 1950, passam de dois para um folho, de confeção mais simples.

Normalmente, o cós é uma tira que se prolonga nas fitas que o prendem atrás, em forma de grande laço, com pontas caídas e bordadas.

Este avental, oferecido ao Museu Dr. Joaquim Manso por Maria Otília Sales Sousinha, em 1975, é um modelo da primeira metade do século XX, com dois folhos iguais; o primeiro desce do cós e termina com recortes bordados largos e fundos, assim como o segundo. Por cima dos recortes, distribuem-se ramos com flores e folhas bordadas a fio de seda frouxa de várias cores a ponto matiz. As pontas das fitas são também recortadas.

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Marcha "Carnaval é Nazaré"



Marcha “Carnaval é Nazaré”
Marcha Geral do Carnaval 1985
Música: Porfírio José do Carmo Laborinho
Letra: José Maria Barros Carepa


“É d'cêda a nossa gente
Tem o Carnaval na alma
A Nazaré é diferente
Este povo é uma corrente
Que só no correr se acalma”.



Fevereiro é o mês do Carnaval. A Nazaré “tem o Carnaval na alma”!
Desde há várias semanas que já é tempo de folia, com os bailes de máscaras e de rua, a feitura dos carros alegóricos, os ensaios, reuniões e jantares de preparação das saídas dos grupos, ranchos e bandas infernais.

O dia 3 de fevereiro marca o arranque oficial do Carnaval; nesse dia, já “ensaiados” (mascarados), os nazarenos concentram-se no sopé do Monte de São Brás ou São Bartolomeu e passam o dia em convívio, entre fogueiras e bailarico, alguns aventurando-se a subir a íngreme encosta até à pequena Capela de S. Brás situada no cimo.

No sábado magro, este ano também no dia 3 de fevereiro, saem à rua, durante todo dia, os vários grupos – os tradicionais “Bicicletas” (só homens, acompanhados por um bicicleta), os “Sakanagem” (grupo misto) e os grupos femininos “Trotinetas”, “Alberquêras” e “Tenantas”.

Depois vêm os cinco dias de Carnaval, sendo o Domingo Gordo animado pela passagem de testemunho dos Reis no Palácio Real e pela saída das Bandas Infernais, para além do cortejo alegórico pela marginal… Nestes dias, num ritmo incessante, todos os nazarenos se cruzam, “balham” e cantam nas ruas e várias salas de baile e bares, num envolvimento coletivo sem distinções sociais e idades.

Do Carnaval nazareno fazem também parte as “Marchas”, com letra e música realizadas localmente, que a rádio local ou, mais recentemente, as redes sociais vão divulgando diariamente. Todos querem ter uma marcha... grupos, coletividades, estabelecimentos comerciais, etc. As letras e as melodias são pretexto para a crítica social ou para a simples brincadeira; o importante é serem mais um fator de coesão comunitária, a ponto de se tornarem memoráveis e símbolos do Carnaval nazareno. Só elas se fazem ouvir...

O Museu Dr. Joaquim Manso possui uma vasta “Marchoteca”, sendo o documento mais antigo datado de 1928. Como Objeto do Mês de fevereiro 2018 destacamos a Marcha Geral do Carnaval de 1985, “Carnaval é Nazaré”. Convidamos todos os grupos a enviarem as suas marchas, através da iniciativa “Guarda a tua Marcha no Museu”, assim atualizando este repositório da memória nazarena do Carnaval.

Dizem que quem vive o Carnaval da Nazaré uma vez nunca mais fica igual. Como todo o nazareno, mal termina a Quarta-feira de Cinzas com o Enterro do Entrudo na Praia, já só pensa no próximo Carnaval... 




Lança Cordeiro, "Carnaval na Praça Sousa Oliveira. Nazaré" (anos 1950?). MDJM


Outros Objetos do Mês relacionados com o Carnaval da Nazaré:
Álvaro Laborinho, “Grupo Carnavalesco”, 1907. MDJM inv. 861 Fot.
Marcha de Carnaval de 1978 do Salão “Mar-Alto
Foto Laborinho, “Banda Infernal do Sítio”, 1965. MDJM inv. 3232 Fot.
Álvaro Laborinho, “Grupo dos Moleiros – Carnaval”, 1928. MDJM inv. 1510 Fot.
"Festejando o São Brás", 1978. MDJM inv. 43-2-4 Fot.
Marcha do Salão Mar-Alto 1969. MDJM inv. 329/94 Doc.
Álvaro Laborinho, “Carnaval - uma família feliz - Cardina”, 1933. MDJM Inv. 1456 Fot.

Abílio, "Casario da Nazaré", 1934



Abílio de Mattos e Silva (Sardoal, 1908 – Lisboa, 1985)
Casario da Nazaré, 1934
Óleo sobre tela, 69x56 cm
Legado de Abílio de Mattos e Silva e Maria José Salavisa de Mattos e Silva (autor e esposa), 1986
MDJM inv. 122 Pint.


Em janeiro de 2018, destacamos uma obra de Abílio, pintor icónico da Nazaré, no ano em que se comemoram os 110 anos do seu nascimento.

Esta composição de um trecho urbano da Nazaré tradicional foi pintada em 1934, período em que o autor viveu nesta localidade.

Abílio foi pintor e ilustrador, elegendo como dois cenários fundamentais do seu trabalho a Nazaré e Óbidos, onde existe um museu com o seu nome. Natural do Sardoal, tendo iniciado o Curso de Direito em Lisboa, acaba por optar pela função pública e é nessa qualidade que vive na vila piscatória da Nazaré nos anos 1930. Mas, a partir de 1936, com a peça "Tá-Mar" de Alfredo Cortez, apresentada em Lisboa, Abílio inicia uma longa e notável carreira como cenógrafo e figurinista, traduzida em incontáveis realizações no domínio do Bailado, da Ópera e do Teatro.

Nas suas pinturas a óleo ou a aguarela, o autor reproduziu este e outros recantos da Nazaré, marcada pelo casario branco, ruas estreitas e pátios, sempre povoados por elementos da comunidade em diálogo, à conversa ou envolvidos nas suas atividades diárias. O seu interesse pela valorização do património da Nazaré, aliado ao seu trabalho de figurinista, conduzem-no a um exaustivo e pormenorizado levantamento sobre as características do traje tradicional da região, que reunirá no livro “O Trajo da Nazaré”, editado já nos anos 1970.

É também ele uma das primeiras vozes a defender a criação de um Museu da Nazaré, em 1955, intenção que se viria a concretizar apenas nos anos 1970.

O Museu Dr. Joaquim Manso possui uma assinalável coleção de desenhos, aguarelas e óleos de Abílio, legada à instituição em 1986 (assinalando o 10º Aniversário da Inauguração), pela esposa do artista, a decoradora Maria José Salavisa de Mattos e Silva.

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Ex-Voto "Nossa Senhora da Nazaré"




Ex-Voto “Nossa Senhora da Nazaré”, 1776
Óleo sobre madeira, 22,2x31 cm
Doado por Noémia Garcia Calixto, 1982
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 171 Pint.


Dezembro remete-nos para a natividade; para além da quadra natalícia, em Portugal, até há poucos anos atrás, o Dia da Mãe era celebrado a 8 de dezembro.

Por isso, este mês, destacamos da nossa coleção um pequeno quadro que nos fala de nascimento e de um "milagre"!

Um “Ex-Voto” ou “Tábua de Milagre” é um objeto de devoção, frequentemente popular e realizado por um autor desconhecido, exprimindo o agradecimento a um santo ou à Virgem.

No Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, a par de outras modalidades de invocações e cumprimento de promessas, era frequente oferecer “à Senhora” pequenos quadros como este ex-voto da coleção do Museu Dr. Joaquim Manso, que invoca o agradecimento da devota a Nossa Senhora da Nazaré por a ter salvo de um parte doloroso, em 1776.

Produzida a óleo sobre madeira, a pintura narra vários momentos do episódio milagroso; repare-se na representação do quarto de dormir com mobiliário de certo requinte, em cuja cama de dossel se vê a parturiente rodeada por várias figuras, uma delas um padre orando, outra amamentando uma criança e outra embalando-a no berço. O marido da devota, ajoelhado e de mãos postas, reza à Virgem, perante um quadro pintado de grandes dimensões, suspenso na parede, representando o Milagre de Nossa Senhora da Nazaré a D. Fuas Roupinho.

Como habitual, sob a área pintada, descreve-se o milagre através de uma legenda, já parcialmente omissa, mas que inicia por “Milagre que fes Nossa Senhora da Nazareth a Dona Roza que estando muito mal de hum parto (...)”.