"Na praia de banhos...", 1915


Álvaro Laborinho
"Na praia de banhos, uma barraca e crianças", 1915
MDJM inv. 1308 Fot.



Junho é o Mês do Dia Mundial da Criança!
Junho é o Mês do início das Férias Escolares, das grandes Férias de Verão!
Junho é o Mês do início do Verão!
Junho é o Mês dos dias grandes, de sol,... que convidam a ir para a praia!
Junho é o Mês em que na Nazaré se "sorteiam" e distribuem as "barracas" dos "banheiros", para acolher os veraneantes!

Junho é o Mês em que destacamos a Nazaré como Praia de Banhos através desta fotografia centenária de Álvaro Laborinho.

Uma imagem que nos traz a Nazaré de 1915, quando esta praia piscatória começa também a ser conhecida como destino turístico, aliado ao veraneio.

Descobriam-se, então, os benefícios dos "banhos de mar", que atraíam ao litoral um crescente número de "banhistas".
Com esta nova moda, surgem os fatos-de-banho (à época, verdadeiros fatos, cobrindo a totalidade do corpo); vem a exigência de novas estruturas de divertimento, recreio e alojamento para estes veraneantes que, durante 2 ou 4 meses, alteravam por completo o ritmo de um espaço que, durante o inverno, apenas era ocupado pelos pescadores e embarcações.

A praia assumia nova organização! Ao Norte, protegidas pelo Promontório, zona mais acolhedora e protegida de ventos, ficavam as barracas das famílias mais abastadas e dos "banhos de sol"; a seguir, os "toldos gerais". Remetidos para Sul, os pescadores e a sua faina diária de embarcações e artes de pesca. 

De manhã cedo, era o tempo animado da "hora do banho", dos "mergulhos" com a ajuda dos banheiros. Depois de almoço, já vestidos com "roupa da tarde", regressava-se à praia para conversar, ler, jogar às cartas ou as simples brincadeiras infantis. Noutras tardes, passeava-se até ao São Brás, à Pedralva ou à Praia do Norte, entre outros locais.

Ainda hoje, na Nazaré, se vive o inverno esperando o verão!
O inverno é a beleza natural da força do mar, a correria das Grandes Ondas. Mas, o verão é a Nazaré do mar calmo que convida aos mergulhos, do colorido dos chapéus e barracas que cobrem o extenso areal, das brincadeiras de praia, do cheiro a peixe assado nas ruas, das esplanadas animadas, dos barcos do candil ao pôr-do-sol...

Diga lá se não lhe apetece vir à Nazaré nestas férias de Verão?! Estamos à sua espera...


Saiba + sobre a Nazaré Praia de Banhos no nosso catálogo (aqui).
Saiba + sobre esta fotografia no MatrizNet (aqui).

Guilherme Filipe, "Mulher da Praia"



Guilherme Filipe (1897-1971)
Mulher da Praia, s.d.
Óleo sobre tela
MDJM 63 Pint.

Pintor considerado por Tomás Ribas como o “pintor das paisagens e gentes da Nazaré” (1959).

Desde novo, Guilherme Filipe manifestou a sua vocação para a pintura. Aluno da Escola de Belas-Artes de Lisboa, frequenta também cursos livres na SNBA e os ateliers de Malhoa e Conceição Silva.
Após uma permanência de seis anos em Madrid, instala-se em Coimbra. O poeta Eugénio de Castro proporciona-lhe um atelier na Faculdade de Letras e, em 1923, realiza a primeira exposição individual, mudando-se mais tarde para Lisboa.

A sua relação com a Nazaré intensifica-se em meados dos anos 1930, aqui permanecendo vários anos, colhendo os motivos das suas pinturas relacionadas com a labuta diária desta vila piscatória. Relaciona-se com outros artistas e intelectuais que frequentavam a Nazaré, integrando a comissão organizadora da primeira Festa do Mar (setembro 1939).

Sonhando com “uma galeria de arte, onde pintores vindos de fora, de toda a parte, encontrariam abrigo e um local amplo e adequado às exposições das suas obras” (Borges Garcia, O Museu da Nazaré, 1976), Guilherme Filipe foi um elemento ativo na organização de um Museu da Nazaré, integrando o seu primeiro “Grupo de Amigos” (1969).

São várias as obras deste autor que integram a coleção do Museu Dr. Joaquim Manso.

Irene Natividade, "Alando a Rede"



Irene Natividade (1900-1995)
Alando a rede, 1957
Óleo sobre tela
alt. 72 cm x larg. 96,5 cm
MDJM inv. 42 Pint.

Pintura representando o pormenor de uma cena da faina piscatória, nomeadamente um grupo de homens e mulheres, em grande esforço, puxando a rede do mar para terra.

Em tempo de Páscoa, lembrando uma época em que, na Nazaré, se recriava a arte xávega, destacamos a pintura de Irene Natividade sobre o alar da rede, datada de 1957, período em que a artista, casada com Joaquim Vieira Natividade, de Alcobaça, vinha passar dias à Nazaré, deixando uma obra significativa, a óleo e aguarela, sobre as suas gentes e atividades piscatórias. 

Em 1976, o Museu Dr. Joaquim Manso abre ao público com uma exposição de Irene Natividade, de temática exclusivamente nazarena, oferecida pela autora a esta instituição.

Pode ver outra obra da artista na exposição "Outras Artes. Coleção de Arte do Museu Dr. Joaquim Manso", em exibição no Centro Cultural da Nazaré.

Barcos em festa


António Vitorino Laranjo (1888-980)
Barcos em festa, 1952
Guache
MDJM inv. 67 Pint.


Sobre cartolina preta, proas erguidas e entrelaçadas sugerem como o mar também pode ser uma festa.

António Vitorino Laranjo nasceu na Nazaré e, ao longo da sua vida, foi funcionário municipal, dedicando grande parte do seu tempo à arte.

Artista popular, poeta e pintor auto-didacta, deixou vários poemas, incluindo letras de algumas canções.

Pinturas e desenhos, a tinta-da-china, lápis e outros, são formas de expressão plástica que representam um olhar atento sobre a realidade da paisagem, das cores e da luz da Nazaré, e retratam o Mar e o seu movimento, o trabalho, o divertimento – uma visão da sua Nazaré.


Marcha de Carnaval Salão Mar-Alto 1969


Marcha do Salão Mar-Alto
Carnaval 1969
Letra A. Vitorino Laranjo
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 329/94 Doc.


O Carnaval nazareno não se explica, sente-se…
Está no sangue dos nazarenos e, por isso, se distingue dos restantes, pela intensidade e espontaneidade com que é vivido.

Começa cedo!
A animação passa pelos BAILES, sejam eles de rua ou nas tradicionais “salas” (das coletividades). Os festejos iniciam-se com os famosos bailes de máscaras quatro semanas antes do Carnaval. Este ano, 2015, realizam-se nas seguintes datas:

17 janeiro, na Associação Recreativa Planalto
24 janeiro, na Associação Recreativa Pederneirense
31 janeiro, no Círculo Cultural Mar-Alto
7 fevereiro, no Casino Salão de Festas

Os bailes de máscaras são apenas um pretexto para antecipar esta festa que é o Carnaval, onde multidões de “ensaiados” (mascarados) se juntam para dançar e saltar e onde há também prémios para as melhores máscaras.
A alegria também vem à rua com vários bailes na Praça Sousa Oliveira aos domingos (dias 1 e 8 de Fevereiro, em 2015).

A 3 de fevereiro, cumpre-se a tradição da Romaria ao Monte de São Brás. Todos “ensaiados”, os nazarenos juntam-se para um piquenique e, à tarde, há também um baile, no sopé do monte, onde são apresentados os Reis de Carnaval (normalmente nazarenos). É esta data que marca o “arranque” oficial do Carnaval na Nazaré.

No sábado magro, desfilam pelas ruas os grupos femininos das Trotinetas, Tenantas e Alberqueiras, o grupo masculino mais antigo “Os Bicicletas” e um grupo misto “Os SaKanagem”.

Nos quatro dias de Carnaval (sábado, domingo, segunda e terça-feira), são realizados vários desfiles pela Marginal, com Grupos Carnavalescos e Carros Alegóricos, que saem à rua para mostrar a sua alegria. No domingo Gordo, “acorda-se” ao som de várias bandas infernais, que vão pelas ruas espalhando algazarra com tampas de panela e instrumentos diversos.
Durante este período, decorrem bailes noturnos nas várias salas, sempre muito concorridos. Estes duram até de manhã, sempre ao som de Marchas do Carnaval Nazareno – músicas e letras feitas exclusivamente para o Carnaval, por autores nazarenos e tocadas por bandas locais e que vão sendo apresentadas previamente, desde janeiro.



Sala de Baile do Casino, anos 1980


Os bailes são, assim, uma tradição deste Carnaval espontâneo e trapalhão. Cada sala e cada grupo tem a sua própria marcha, cuja letra gira em torno de um mote anual escolhido pelos grupos de Carnaval. Este ano, o mote é Carnaval 2015 “Largarem Barques e Remes”, uma expressão nazarena que se aplica em relação a alguém que tudo largou ou abandonou, que desistiu.

Este mês, em “jeito de festa”, o Museu Dr. Joaquim Manso destaca a Marcha do Salão Mar-Alto, do Carnaval de 1969, com letra de António Victorino Laranjo.

Quem ainda se recorda desta Marcha?

Puxando as redes
















Henrique Moreira (1890-1979)
Puxando as redes, 1946
ass. e datado: H. Moreira, 1946
Bronze
Museu Dr. Joaquim Manso inv. 6 Esc.

Grupo escultórico composto por três pescadores, descalços e de barrete, mangas e ceroulas arregaçadas, curvando-se vigorosamente no esforço de alar a rede, descrevendo uma diagonal.

Esta representação de uma das componentes da faina de pesca tradicional da Nazaré revela bem a dureza da vida dos pescadores, que tão retratada foi por vários artistas, escritores, dramaturgos, fotógrafos e cineastas, que se deixaram seduzir pela particularidade dos costumes locais.

Henrique Moreira foi um dos iniciais "Amigos do Museu" e a ele se deve a oferta, em 22 de maio 1975, de 3 bronzes da sua autoria: “Tragédia marítima”, “Pescador cosendo a rede” e “Puxando as redes” (MDJM inv. 4, 5 e 6 Esc.)

Esta peça foi centro de interesse da atividade “Pintura às cegas”, da iniciativa “Todos ao Museu”, que assinalou o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, a 3 de dezembro de 2014 (ler mais aqui).

Consulte mais sobre esta escultura em MatrizNet (clique aqui).



Nossa Senhora da Conceição





















Nossa Senhora da Conceição
barro policromado
fins do séc. XVII – 1º quartel séc. XVIII
alt. 28,5 cm
Doação de Noémia Garcia Calixto, 1988
MDJM Inv. 38 Esc.


No mês em que se celebra a Natividade, o Museu da Nazaré evoca a quadra natalícia através de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, também assim assinalando a Festa da Imaculada Conceição (8 de dezembro).

Em barro policromado, trata-se de uma representação tradicional dentro da iconografia mariana desta invocação, representando a Virgem coroada, de mãos postas em oração à altura do peito, envolta por manto esvoaçante ao gosto barroco. Apresenta-se sobre a Lua em quarto crescente e o Globo, envolto por serpente, onde se distribuem três querubins alados.

As representações da Imaculada Conceição traduzem a visão de Maria como a “nova Eva” que esmaga a serpente, símbolo da tentação e do pecado original. Maria desce do Céu sobre a Terra para resgatar o pecado de Eva. Como Regina Coeli (Rainha do Céu) e Virgem Imaculada, apresenta-se coroada, de cabelo solto, com pés assentes sobre o crescente lunar, símbolo tomado do Apocalipse de São João: “Depois apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de Sol, tendo a Lua debaixo de seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça” (Apocalipse. 12,1).

Embora fosse uma tradição muito seguida desde há vários séculos, só a 8 de dezembro de 1854 o papa Pio IX declarou solenemente o dogma da Imaculada Conceição, dogma católico da conceção da Virgem Maria sem “mancha” do pecado original.

Em Portugal, a veneração à Imaculada Conceição conhece grande incremento no século XVII, quando o rei D. João IV proclama Nossa Senhora da Conceição como Padroeira do restaurado Reino de Portugal e a consagra como Rainha (1646). Desde então, nenhum rei português voltou a ostentar a coroa nas suas representações. Generalizaram-se por todo o país as imagens desta invocação, contribuindo para a consolidação de uma devoção que, apesar do seu carácter oficial, encontrou grande eco no espírito popular.

Esta imagem foi doada ao Museu Dr. Joaquim Manso por Noémia Tito Calixto, em 1988, sendo proveniente da Confraria de Nossa Senhora do Rosário, da Igreja de Nossa Senhora das Areias, na Pederneira