Sarcófago Romano




Sarcófago

Pedra calcária
Baixo-Império Romano
alt. 51 x larg. 59 x comp. 194 cm
MDJM inv. 1 Arq.

Em novembro, mês que se inicia pelo Dia de Todos os Santos seguido pela celebração do Dia dos Fiéis Defuntos, o Museu Dr. Joaquim Manso evoca o Culto dos Mortos, destacando um sarcófago do Baixo Império Romano, encontrado em Famalicão da Nazaré, e que se encontra em exposição numa das suas salas.

Trata-se de uma urna funerária de forma rectangular e em pedra calcária, lisa e sem decoração, apresentando apenas um pequeno orifício, possivelmente resultante de posterior reutilização para outros fins.
Internamente, observa-se a cabeceira de dimensão mais larga que a extremidade oposta, oscilando respetivamente entre os 44 cm e os 38,5 cm.

Integrando o acervo do Museu Dr. Joaquim Manso – Museu da Nazaré, por cedência do Museu Nacional de Arqueologia, este sarcófago testemunha a presença romana na região onde se insere o atual concelho da Nazaré, a par de outros pequenos objetos utilitários e decorativos, que se encontram igualmente expostos no Museu, a merecerem a sua visita.

Outro sarcófago romano a merecer cuidada atenção, mas desta vez pela sua beleza ímpar, é o conhecido “Sarcófago das Musas”, encontrado em Valado dos Frades / Nazaré e patente ao público no Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa.

Saiba mais sobre este sarcófago em MatrizNet.



Cerco Republicano

Cerco Republicano
Galeão e duas barcas auxiliares (miniatura)
Tipo de pesca: Pesca com rede de cerco americano
Fabricante da miniatura: Policarpo Vicente Isaac, 1980
MDJM inv. 1091 Etn


A miniatura reproduz o Galeão N 672 G, registado a 23 setembro 1913 e abatido em 1929. Era propriedade da “Sociedade Cerco Liberal” e destinava-se a serviço de pesca com “cerco americano”.

Tinha de comp. 10 m; boca 3,30 m; pontal 1,10 m e T.B. 8,712 t.

No período que antecedeu o 5 de Outubro de 1910 e durante a I República, alguns barcos registados na Capitania do Porto da Nazaré revelam a ideologia republicana dos seus proprietários, de que é exemplo este galeão pertencente ao “Cerco Liberal”, também conhecido por “Cerco Republicano” ou “Papa Charutos”. Outros exemplos:

Duarte Pacheco – Batel das armações valencianas N 474 V, registado a 14 maio 1906, propriedade de “Rosa e Comandita”. Em 21 maio 1912, passou a pertencer a Cândido Rodrigues e C.ª (filhos).

Bernardino Machado e Guerra Junqueiro – Barcas de cerco americano, registadas a 21 setembro 1908, ao serviço do Cerco Americano “Igualdade” – Álvaro, Ascenso, Vidinha e Comp.ª.

António José d’Almeida – Barca de cerco americano, registada a 15 novembro 1908, ao serviço do Cerco Americano de Álvaro, Ascenso, Vidinha e Comp.ª.

Pinheiro Chagas – Batel das armações valencianas N 696 V, registado a 18 maio 1914. Propriedade “Parceria Fraternidade”.

República – Galeão de cerco americano N 711 G, registado a 17 setembro 1914. Propriedade da Firma Santos Amaral e C.ª. Destina-se ao serviço de pesca com o cerco americano “Alexandre”.

Na Nazaré, a primeira bandeira republicana regista-se em dezembro de 1910, por oferta de Alfredo Santos, sócio da fábrica de conservas “Alfredo Santos & Bravo”.

Mais informação sobre a implantação de República na Nazaré (aqui).

Tábua de Milagre

















Tábua de Milagre
Trabalho popular de autor desconhecido, 1776
Óleo sobre madeira, 22,2x31 cm
Doação de Noémia Garcia Calixto, 1982
MDJM inv. 171 Pint.


Em tempo de devoção ditado pelas Festas em Honra de Nossa Senhora da Nazaré que, em setembro, decorrem nesta vila de pescadores, o Museu Dr. Joaquim Manso – Museu da Nazaré evoca o culto mariano aqui prestado há vários séculos através de uma tradicional “tábua de milagre”.

Trata-se de um ex-voto, trabalho popular e de devoção, de autor desconhecido, invocando o agradecimento de Dona Rosa a Nossa Senhora da Nazaré por a ter salvo de um parto doloroso, como diz a legenda nele inscrita:

“Milagre que fes Nossa Senhora da Nazareth don/na Roza que estando mui mal de hum parto [...]”.

Consulte mais informação sobre esta obra no MatrizNet (clique)

Painel de azulejos




















Painel de azulejos
Fábrica Battistini de Maria de Portugal, s.d. (final anos 1930-40?)


Em agosto, destacamos um elemento decorativo integrante do edifício do Museu Dr. Joaquim Manso e que relembra a sua função inicial como moradia particular, ao mesmo tempo que remete para uma tradição local de colocar na fachada registos alusivos ao Milagre de Nossa Senhora da Nazaré, do Senhor dos Passos, outras evocações religiosas e marítimas.

No exterior do edifício do Museu Dr. Joaquim Manso, no terraço adornado de colunas e pérgola, à esquerda da primitiva porta de acesso à moradia, está patente um painel de azulejo, azul e branco com apontamentos a amarelo, verde e castanho na decoração floral.
Envolta por moldura de concheados, recuperando a tradição azulejar portuguesa do século XVIII, surge uma representação de Nossa Senhora da Nazaré, sobre paisagem onde se avista o Promontório e o mar com diversas embarcações.

Em cartela central de fundo amarelo, reproduzem-se os seguintes versos assinados por Maria de Portugal:

“Senhora da Nazareth
Ajude o mar a ter fé,
Ensine a onda a resar:
Olhe, as mães dos pescadores
Já sofreram tantas dores,
Precisam de descançar”

No lado inferior direito, lê-se “Fca Battistini de Maria de Portugal”.

“Maria de Portugal” é o pseudónimo de Albertina dos Santos Leitão (1884-1971), pintora e ceramista discípula de Leopoldo Battistini (1865-1936), artista de origem italiana, grande impulsionador da fábrica de Cerâmica Constância, em Lisboa (Lapa). Após a sua morte, Maria de Portugal tornou-se sua proprietária e assumiu a direção artística, passando a fábrica a ostentar o nome de “Fábrica Battistini de Maria de Portugal”.

O Museu Dr. Joaquim Manso está instalado na antiga casa de veraneio do Dr. Joaquim Manso (1878-1956), escritor e jornalista, fundador do “Diário de Lisboa”. Construída no Sítio da Nazaré, na 1ª metade do séc. XX, em 1968 moradia é oferecida ao Estado para aqui instalar o Museu da Nazaré, pelo benemérito nazareno e empresário da construção civil Amadeu Gaudêncio (1889-1980).

Rapa "Praia do Norte"














Rapa "Praia do Norte" (miniatura)
Augusto Sabino, s.d.
MDJM inv. 948 Etn.


Durante este mês, no Museu Dr. Joaquim Manso, revive-se a memória da pesca artesanal da Nazaré, através do destaque dado a uma Rapa.

Este tipo de embarcação resulta da evolução e adaptação da traineira, praticando, à semelhança desta, a pesca com rede de cerco.

Regista-se a utilização de lancha auxiliar e de outro equipamento tecnológico mais moderno, nomeadamente casa de motor, rádio, radiogoniómetro, luzes avisadoras, entre outros.

Esta miniatura corresponde ao original na construção, decoração, denominação e matrícula.

Repare-se na sua denomição “Praia do Norte”, hoje tão em voga pela atração dos surfistas pelas grandes ondas, durante o inverno.

"Tacoa", de F. Lino




















Fernando Lino
Tacoa, s.d.
Técnica mista sobre papel
Aquisição pelo MDJM, 1984
MDJM inv. 117 des.

Na Nazaré, todos se lembram da “Tacoa”.
Rosária Meca Tacoa, filha do marítimo José Veríssimo Tacoa e da peixeira Maria da Soledade Meca, nasceu em 10 de dezembro de 1929, na Nazaré. 

Figura bastante conhecida nesta vila, a Tacoa distinguia-se, sobretudo, pelo seu traje regional, modesto, pardacento e já muito gasto. Um velho chapéu sobre a capa reforçava um tipicismo próprio, que os turistas não perdiam a oportunidade de fotografar e filmar.

Pelo seu linguarejar brejeiro, onde não faltavam as pragas, era considerada como alguém que “não tem o juízo todo”, ideia que ela vivamente rejeitava, afirmando: “eu não sofro da cabeça! Dão-me é ataques epiléctricos no coração”! 

Com oito anos, trabalhava já numa padaria e, mais tarde, até 1957/58, numa fábrica de conservas de peixe.
Em 1966, casou com o pescador José Pai João, de quem enviuvou em 1982.
Uma das facetas, talvez a mais desconhecida da Tacoa, era a sua facilidade de versejar. 

Em junho, o Museu Dr. Joaquim Manso destaca esta "figura" da Nazaré, através de um trabalho popular de Fernando Lino, que chegou a ser desenhador do Museu.
Esta é também uma oportunidade de a relembrar através da criatividade das crianças do 3º ano do Agrupamento de Escolas da Nazaré, que virão ao Museu, no dia 6 de junho, expor os seus trabalhos do projeto "Salpicos", baseados em representações da Tacoa.


Desenho de Stuart Carvalhais













Stuart Carvalhais (1887–1961)
Sem título, s.d
Tinta-da-China
MDJM inv. 100 Des.


Trabalho a tinta-da-China, onde um bando de perús é encaminhado por um homem com uma vara, num dirigismo satirizado.

A arte da sátira gráfica desenvolve-se na Europa a partir dos finais do século XVIII. Em Portugal, regista-se um incremento deste tipo de crítica com o liberalismo, no século XIX.
Neste mundo de irreverência e humorismo, onde há uma convivência entre o riso, a sátira e a caricatura, destaca-se, entre outros, Stuart Carvalhais, autor de figuras e tiras de banda desenhada como “Quim e Manecas”, a série mais longa com cerca de 500 episódios (entre 1915 e 1953), cujo conteúdo é enriquecido através de uma ponte com a realidade social e política do país.

Stuart Carvalhais, com Christiano Cruz, Almada Negreiros e Jorge Barradas, entre outros, fundaram também a sociedade de humoristas “vid'airada” e o jornal “Sátira” (1911).

José Herculano Stuart Torrie de Almeida Carvalhais, mais conhecido por Stuart Carvalhais, filho de pai português e mãe inglesa, nasceu na zona do Douro.
Artista multifacetado, distinguiu-se como pintor, desenhador, ilustrador, caricaturista e autor de banda desenhada, dedicando-se também à fotografia, cenografia e cinema.

Viveu a sua primeira experiência nos jornais como repórter fotográfico. É  n' “O Século” que publica os primeiros desenhos, em 1906, iniciando o trabalho de banda desenhada no ano seguinte.
Vivendo em Paris em 1912 – 1913, integra também neste período a I e a II Exposição dos Humoristas Portugueses.
Em 1914, colaborou no jornal satírico “Papagaio Real”, então sob a direção de Almada Negreiros.
Casado com a varina Fausta Moreira, de quem teve um filho, Raul Carvalhais.

Joaquim Manso (1878-1956), patrono deste Museu instalado na sua moradia de veraneio na Nazaré, era próximo destes artistas portugueses, sendo as páginas do jornal que dirigia - “Diário de Lisboa” - o suporte para divulgação de muitas das suas iniciativas e ideias. 
É através da sua coleção, por doação do filho Pedro Manso Lefèvre em 1977, que este trabalho de Stuart de Carvalhais vem integrar o espólio do Museu da Nazaré, a par de outros trabalhos, deste e de outros artistas desta geração.

Consulte este desenho no MatrizNet.