"O Leão"


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Manuel Coelho da Silva (Paredes, 1909 - Nazaré, 1995)
O Leão - The Lion, 1979
óleo sobre plátex / oil on playtex
ass. e datado, canto inferior direito: Coelho da Silva/1979
MDJM inv. 91 Pint

  

Pintura naif da autoria de um artista local, retratando uma “figura típica” da Nazaré de meados do século XX, que desenvolvia atividade quer no mar quer na agricultura, demonstrando a articulação entre ambas as atividades económicas.

Num enquadramento rural, possivelmente nos Caixins, onde os “Leões” tinham as suas hortas, surge em primeiro plano Fortunato Pimpão, descalço e vestindo o traje tradicional, segurando na mão esquerda um molho de nabos e, na direita, uma vara que o auxiliaria na caminhada.

A alcunha de “Leões”, atribuída aos irmãos Fortunato e António Pimpão, deve-se ao facto de ambos serem muito robustos, fortes e vigorosos, surgindo retratados em vários postais da época.

Coelho da Silva (1909-1995), ourives, pintor e escultor, foi um autodidacta. Também conhecido por “Vinho Verde”, devido à terra da sua natalidade – “Baltar”, perto do Porto e região produtora de vinho verde, Coelho da Silva trabalhou com vários materiais, desde o barro cozido, o cobre martelado ou a pintura.

Os temas escolhidos pelo autor registam, sobretudo, motivos de interesse etnográfico ligados ao quotidiano das gentes da Nazaré e suas figuras populares, como é o caso da obra agora apresentada, “O Leão” (Fortunato Pimpão).


A ilustrar a vertente marítima do trabalho dos “Leões”, apresenta-se ainda um postal (MDJM inv. 362 BPI, Oferta de José Caria Macatrão, 1975)

 

 




The painting by local artist in the style of Naïve art, shows a typical figure of Nazaré from the middle of the XXth century, depicting maritime and agricultural activities,  and demonstrating the link between both.

It is set in the countryside, possibly at Caixins, where “Lions” had their farming land. In the foreground is Fortunato Pimpão, wearing traditional costume, holding in the left hand a bunch of turnips, and in the right hand a walking stick.

Nicknamed “Lions” for their strong, robust qualities and vigorous character, brothers Fortunato and António Pimpão were often featured on postcards of the period.

Coelho da Silva (1909-1995) was a self-taught goldsmith, painter and sculptor.

He was also known as “Vinho Verde” as a reminder of the place where he was born - Baltar, close to Porto, the region famous for the production of “Vinho Verde” wine. Coelho da Silva worked with different materials, creating art objects in ceramics, repoussé and paintings.

The themes chosen by the artist have ethnographic interest since they show everyday life of the people of Nazaré and its popular figures, as represented in the painting “The Lion” (Fortunato Pimpão).

A postcard illustrates the maritime side of the work “The Lions” (MDJM inv. 362 BPI, offered by José Caria Macatrão, 1975).
 
(translation by Nina Pavlosky, volunteer)
 


Passos da Paixão de Cristo





















Passos da Paixão de Cristo
Séc. XIII-XIV
Pedra calcária
MDJM Inv. 36 Esc.


Em março, o Museu Dr. Joaquim Manso destaca uma peça demonstrativa de uma das mais tradicionais manifestações da religiosidade popular da Nazaré, à semelhança de outras localidades celebrada durante o período quaresmal – a Procissão do Senhor dos Passos, que este ano ocorre entre 9 e 11 de março.

Trata-se do fragmento de um baixo-relevo em pedra calcária, proveniente das Igrejas de S. Pedro ou de Santa Maria da Pederneira, já desaparecidas, apontando para a antiguidade desta solenidade na Nazaré.
Representa Cristo sustendo a cruz às costas, ladeado por Cireneu, o bondoso pescador Simão.

Como nos relata Brito Alão no século XVII, na sua História da Sagrada Imagem de Nossa da Nazareth (1628), as cerimónias da Semana Santa já se faziam na Igreja da Misericórdia desde o ano da Quaresma de 1596, mas, é desde 1619, que a Procissão dos Passos da Morte e Paixão de Nosso Senhor Jesus tomou “pelo caminho para esta Santa Casa” (Santuário de Nossa Senhora da Nazaré).

O itinerário manteve-se, sensivelmente, idêntico até à atualidade, entre a Igreja da Misericórdia, na Pederneira, e o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, no Sítio, repartindo-se por três dias – sábado, domingo (4º domingo da Quaresma) e segunda-feira.

A organização das solenidades compete à Irmandade do Senhor dos Passos, sediada naquela igreja.

Álvaro Laborinho, Procissão dos Passos, 15 março 1931
MDJM Inv. 1391 Fot









 





Visite também a exposição "Passos de Fé e de Esperança", no Centro Cultural da Nazaré. 

Programa das Celebrações de 2013.





Grupo dos Moleiros – Carnaval



Álvaro Laborinho (1879-1970)
Grupo dos Moleiros – Carnaval

20 fevereiro 1928
MDJM Inv. 1510 Fot.



Entre os divertimentos e brincadeiras que preenchem a época carnavalesca na Nazaré, constam os Grupos, as Bandas Infernais, os Ranchos, as Cegadas, os Bailes e o Desfile.

Porque já raros atualmente, o Museu Dr. Joaquim Manso evidencia os chamados “Ranchos de Fantasia”, organizados de uma forma espontânea para um determinado ano ou, por vezes, por associações e coletividades locais.

A responsabilidade pela seleção do tema, coreografia e fatos, cabia a um pequeno núcleo organizador, que contactava ainda possíveis autores da música e letra da respetiva marcha.
Normalmente, na segunda-feira de Carnaval, os ranchos faziam a sua primeira exibição no Largo do Hospital. Alguns apresentavam-se também na Praça de Touros, sobretudo os originários do Sítio.
Os seus elementos, de ambos os sexos (por norma, pares) e de todas as idades, enchiam depois as ruas, as salas de baile e o próprio cortejo de Terça-feira Gorda, com a alegria, o colorido da fantasia dos trajes, as danças e músicas correspondentes à sua marcha.

Nas edições mais recentes, devido às novas apetências da juventude e à logística da sua organização que requer um longo tempo de preparação e ensaios, os Ranchos têm perdido adeptos em favor das múltiplas e animadas Bandas Infernais e Grupos Carnavalescos, todos contribuindo para o entusiasmo desta época que, na Nazaré, cada vez mais é parte essencial da sua identidade e se estende por mais de um mês, incluindo a apresentação dos Reis no dia 3 de fevereiro, na concorrida festividade do São Brás, em torno do monte e da capela do mesmo nome.


Música e Letra do Rancho
“Moleirinhas e Camponeses”, 1928
por Florêncio Maurício

Estas e muitas outras Marchas de Rancho estão em exposição no Museu Dr. Joaquim Manso durante o mês de fevereiro de 2013.


Saiba mais sobre os Carnaval na Nazaré, nas anteriores edições (clic) do Objeto do Mês do Museu Dr. Joaquim Manso.



Groups, “Bandas Infernais”, “Ranchos”, “Cegadas” (popular theatre), Balls and Pageants provide fun and entertainment during the Carnival season in Nazaré.

Rare now, Museum recalls the evidence of “Ranchos de Fantasia,
the spontaneously organized groups.

“Ranchos” made their first appearance on Monday of the Carnival, on the Largo do Hospital. Some of them would appear also at the Bull Ring.

After that, they would go to streets, ballrooms, and Pageant on Tuesday of Carnival, and fill the streets with joy and happiness, colourful costumes, dances and music of their own marches.

Recently, “Ranchos” lost followers in favour of lively “Bandas Infernais” and Carnival Groups. All of them contribute to the enthusiasm of Carnaval that in Nazaré lasts more than a month and includes presentation of The King and the Queen on the 3rd of February, at the festival of São Brás, at the mount of the same name.

(tradution by volunteer Nina Pavlosky)





Cédula de Inscrição Marítima














Cédula de Inscrição Marítima n.º 1947
pertencente a Casimiro da Tereza Murranga

(n. Nazaré, 1895), pescador do bacalhau e pescador artesanal
Inscrição na Capitania do Porto da Nazaré, 4 julho 1911
MDJM

(Nota: deste pescador, o Museu expõe também o desenho de uma “armação redonda", realizado em 1976). 


Cédulas de inscrição marítima, cartas de exames, bilhetes de identidade da Casa dos Pescadores, entre outros, toda uma documentação diversa normalizava a atividade do pescador, certificando-a, registando-a, regulamentando-a ou vigiando-a.

Os indivíduos empregados na navegação, tráfego dos portos e pesca deviam estar inscritos nas capitanias das respetivas áreas. O edifício da Capitania era, portanto, um local de referência para qualquer jovem ou velho pescador, integrando o seu mapa vivencial.
Criada a 18 de abril de 1895, a Capitania do Porto da Nazaré só foi definitivamente transferida de São Martinho do Porto a partir de 1897, onde funcionara provisoriamente. Instalou-se na Rua da Beira-Mar, tendo, em 1906, o Instituto de Socorros a Náufragos adquirido um prédio na Praça Sousa Oliveira para ser convertido numa estação de socorros a náufragos e capitania do porto, edifício onde permanece instalada até à atualidade.

A Cédula de Inscrição Marítima acompanhava sempre o pescador. Hoje, este documento é uma memória muito querida, guardada a nível familiar, lembrando o seu passado (ou ainda presente!) ligado à pesca ou à marinha mercante.
A recente doação ao Museu Dr. Joaquim Manso da cédula do pescador António Maria Codinha (n. Nazaré, 1864), pela neta Maria de Lurdes Codinha dos Santos, motivou-nos a destacar, em janeiro, a Cédula de Inscrição Marítima, expondo algumas do nosso acervo e outra documentação temporariamente cedida por particulares.

Segundo o Regulamento Geral das Capitanias, Serviços e Polícia dos Portos (Dec. 1 dezembro 1892), os registos eram efetuados em livro especial, denominado “Livro de Inscrição Marítima”, e deveria constar de uma cédula, “documento essencial para qualquer marítimo poder exercer o seu mester”, conferida, datada e rubricada pela autoridade marítima da capitania ou delegação onde tiver sido feito o registo, uma vez, pelo menos, em cada ano.
As cédulas dos tripulantes inscritos na matrícula de pesca para o serviço dum aparelho ou embarcação por tempo determinado, ou temporada de pesca, estariam em poder do mestre da embarcação, que por elas era responsável por todo o tempo de contrato de serviço.
As cédulas de inscrição de indivíduos não incluídos no rol de matrícula deveriam estar em poder daqueles a quem pertenciam.
Os primeiros estavam ligados ao serviço da embarcação ou aparelho por todo o tempo do contrato de matrícula. Os segundos, não tendo obrigação por contrato de servir em alguma embarcação ou aparelho, poderiam livremente empregar-se nos trabalhos de mar, fazendo-se sempre acompanhar das cédulas de inscrição, para comprovarem a sua condição.

Segundo o modelo mais antigo das cédulas existentes no Museu Dr. Joaquim Manso, pertencentes a Manuel Ignácio (inscrição em 1893), Casimiro da Teresa Murranga (1911), João Thomé Bizarro (1911, empréstimo de Ana Filipa Bizarro) e António Maria Codinha (1916), as primeiras folhas eram respeitantes aos dados pessoais do inscrito (filiação, naturalidade, nascimento, ocupação, habitações literárias; sinais físicos característicos); as seguintes, para a conferência da cédula e pagamento de Socorros a Náufragos (colocação anual dos selos, carimbos e assinatura do capitão do porto); registo dos bilhetes de desembarque (navio, praça a que pertence, nome do capitão, comportamento, qualidade em que serviu, quando e onde embarcou / desembarcou) e castigos aplicados.

A partir de meados do século XX, cada vez mais pescadores da Nazaré trocavam a incerta pesca costeira pela pesca do bacalhau ou pela marinha mercante, dando as cédulas conta dos vários navios e portos onde atracavam, como patenteiam os documentos cedidos por familiares de António Borges Bértolo (n. 1899; inscrição abril 1911, renovação maio 1971), António Borges Barqueiro (n. 1928, inscrição setembro 1945, renovação março 1972), José Quinzico Bem (n. 1928, inscrição setembro 1945, renovação setembro 1975) ou do seu filho Rogério Barros Quinzico Bem (n. 1954, inscrição agosto 1968, renovação julho 1976).





Cédula de Inscrição Marítima n.º 717
Pertencente a António Maria Codinha
(n. Nazaré, 1864), com registos entre 1916 e 1929
Inscrição na Capitania do Porto da Nazaré, 26 fevereiro 1916
MDJM Inv. 1233/2012
Doado por Maria de Lurdes Codinha dos Santos, 2012


















António Maria Codinha foi toda a vida pescador, residente na Praia, na Trav. do Restaurante, atual Rua de Leiria. Também conhecido como António Maria Venâncio Codinha, foi casado com Ana Santana Eugénia (também conhecida como Santana Eugénia Remígio ou Ana Santana Remígio), com quem teve 3 filhos – Bento, Manuel e Laura Venâncio Codinha.
A doadora é neta desta última, filha de Maria de Lourdes Codinha Chalabardo.
















Cédula de Inscrição Marítima n.º 833
Pertencente ao pescador João Thomé Bizarro
(n. Nazaré, 1880)
Inscrição na Capitania do Porto da Nazaré, 27 janeiro 1911
Empréstimo de Ana Filipa Bizarro


 

Sinal à barca
















Coelho da Silva (Paredes, 1909-Nazaré, 1995)
Sinal à barca, s.d
Aguarela sobre papel
MDJM inv. 26 Pint.
(clic na imagem)

A pintura “Sinal à barca”, do pintor naïf nazareno Coelho da Silva (1909-1995), ilustra um processo tradicional de comunicação noturna entre o mar e a terra, utilizado pelos pescadores da Nazaré, através de sinais de luz, transmitidos reciprocamente pelo mestre da embarcação e o “velho de terra”.





Quando ainda não existiam os atuais sistemas, a comunicação era feita através de archotes ou fogachos, cuja manipulação, em gestos diferenciados (na vertical, em círculo, …), identificava o proprietário da embarcação (tipo traineira) que estava a fundear nas “Bóias” (espaço marítimo com profundidade e condições adequadas a esse efeito, onde era raro o assoreamento e, mesmo com o “mar ruim”, as ondas não quebravam).
Na praia, um elemento da companha, normalmente o “velho de terra”, confirmava a sua visualização, respondendo com a emissão dos mesmos sinais.
Para facilitar as manobras de saída do mar da barca auxiliar, que fazia o transporte de homens e pescado até terra, era então necessário preparar a colocação dos panais (estrados de madeira), devidamente “ensebados”,  e o “engate” das juntas de bois, que puxavam a barca para “o topo”, ou seja, para o areal.
Em noites escuras, ou quando o mar estava "mexido", a luz emitida por este meio serviria também para orientar a embarcação durante o “encalhar”.


"Muro dos Sinais", no Sítio
Charlotte E. Pauly, início anos 1930
(col. particular)






















Através de fotografias da artista alemã Charlotte E. Pauly (1886-1981), que viveu temporariamente na Nazaré no início dos anos 1930, chega-nos a memória da existência de outra forma de comunicação para a pesca diurna, através de pintura mural
No topo do miradouro do Promontório, existia um muro onde estavam pintados sinais correspondentes às diversas embarcações (tipo galeão). Quando os barcos iam “pró mar”, o respetivo “velho de terra” ia-se sentar no enfiamento do seu sinal, de onde tinha maior alcance de visão, mesmo sobre a Praia do Norte. Após a “rede ter feito o cerco”, e quando o barco (que navegava a remos com uma campanha de 20 a 30 pescadores) vinha a caminho das “Bóias”, o “velho de terra” fazia sinal para a praia, a dizer quantas barcas auxiliares eram precisas “varar ao mar” para efetuar o transporte do pescado entre o galeão e a terra.   
Este tipo de comunicação terá desaparecido a partir dos anos 1940, acompanhando o abandono dos galeões a favor da pesca da traineira e noturna, sendo agora a fotografia e a pintura daquela artista alemã o pretexto para se recuperar junto de antigos pescadores um “saber-fazer” praticamente esquecido.

Em novembro, visite a exposição "Do mar para terra. Formas de comunicação", que enquadra o "Objeto do Mês", com a colaboração da Capitania do Porto da Nazaré e do fotógrafo Zé Batista. 

No dia 15 de novembro, no âmbito das comemorações do Dia Nacional do Mar, decorrerá a tertúlia "Do mar para terra. Formas de comunicação" (ler mais).

Visite-nos!

Esqueleto de Caravela
















Esqueleto de caravela (miniatura)
António Luís Júnior, 2004
madeira
MDJM inv. 1857 Etn.





"Há árvores que estão no pinhal por engano (…).
Parecem barcos já feitos, à espera que os ponham a boiar.”
Alves Redol, Uma fenda na muralha (1959)



A construção de embarcações em madeira foi, durante séculos, uma importante atividade económica na Nazaré, a ela se reunindo um conjunto de saberes e práticas, hoje em franco declínio.

Numa estreita articulação entre mar e floresta, o vasto pinhal de Leiria e o dito “Pinhal da Senhora” marcam a paisagem litoral desta região, favorecendo a sustentação das areias e a relação de proximidade / dependência com o homem, que a eles ia buscar a lenha, as pinhas e a resina, para além da madeira para a construção naval. Ao longo dos tempos, alvarás, leis e outras medidas comprovam a proteção régia a este arvoredo.
Em parte assim se justifica também o papel da desaparecida “Lagoa da Pederneira” na expansão portuguesa, aqui se iniciando a construção de naus e caravelas, de que a miniatura exposta é uma singela evocação, saída das mãos do último construtor naval da Nazaré ainda em actividade – António Luís Júnior.

Eram utilizados vários tipos de madeira, conforme se destinavam ao casco e seus acessórios, à decoração das câmaras e alojamentos, ou ainda a pequenas embarcações, palamentas, mastros e remos. Em Portugal, as madeiras mais comuns na construção de traineiras, batéis, botes, fragatas, entre outros, eram o carvalho, o pinho manso, o pinho bravo, eucalipto, sobreiro, mogno, cedro, entre outras variedades.

Antes de mais, era necessário saber escolher as árvores a cortar e aproveitá-las ao máximo. Trabalhadas no estaleiro com recurso a várias ferramentas e equipamentos, a partir de desenhos e plantas, grades e moldes, num saber técnico transmitido de geração em geração, nasciam das mãos dos “calafates” as embarcações que iriam cruzar os mares em busca do sustento de uma família, de uma comunidade, de um povo.

A relação mar – terra – pinhal, ainda hoje evidente, é esteticamente firmada por Francisco Santos (saber mais), pintor de Porto de Mós que, nas telas temporariamente cedidas, elege a cor e a forma do arvoredo na definição da paisagem da região, inquietando-nos com reflexões sobre o património natural e a sua ligação com as actividades humanas de extração (pesca e agricultura), contemplação e fruição.

O Milagre de Nª Srª Nazaré, por Mário Botas





 
 
 
 
 
 
 
Mário Botas (1952-1983)
O Milagre de Nossa Senhora da Nazaré, 1981/1982
Aguarela sobre papel
Aquisição ao autor, 1983
MDJM inv. 103 Pint.

 

DURANTE O MÊS DAS FESTAS EM HONRA DE NOSSA SENHORA DA NAZARÉ (8 setembro), a pintura "O Milagre de Nossa Senhora da Nazaré", do artista nazareno Mário Botas (1952-1983), traduz uma versão contemporânea sobre a representação iconográfica desta devoção mariana.

CONTA A LENDA que, em 14 de setembro de 1182, quando D. Fuas Roupinho, alcaide-mor do Castelo de Porte de Mós, andava à caça nesta região, terá encontrado um veado. Após uma desenfreada perseguição, o veado, que seria o demónio disfarçado, cai do promontório sobre o mar, salvando-se D. Fuas miraculosamente, pela intercessão de Nossa Senhora da Nazaré, cuja imagem estava ali escondida numa pequena gruta e, segundo a tradição, fora executada em Nazaré da Palestina e trazida pelo último rei godo, D. Rodrigo, e Frei Romano. Em ação de graças, nesse local, D. Fuas mandou construir a Ermida da Memória e, a partir do séc. XIV, tem início a edificação do Santuário, que desde sempre recebeu a proteção real.

COM A DIVULGAÇÃO DOS MILAGRES DA SENHORA DA NAZARÉ, o "Sítio" converteu-se em centro de peregrinação. Anualmente, aqui se realizam as "Festas em Honra de Nossa Senhora da Nazaré" (cf. CNSN), trazendo numerosos Círios.

Ao longo dos séculos, as práticas devocionais originaram múltiplas manifestações artísticas e populares, que simultaneamente cumpriam uma função votiva ou uma recordação da vinda ao Santuário, assim como nos legaram representações pictóricas e escultóricas destinadas a enobrecer altares de igrejas e capelas, quer nacionais quer de além-fronteiras, nomeadamente do Brasil.


Registo de Santo, MDJM inv. 471 Grav
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Entre os "bens de salvação, de proteção dos devotos e de memorização do culto" (Pedro Penteado, 1998), encontramos as gravuras com registos de santos, as "tábuas de milagre", as "lâminas" ou "chapas", até às fitas ou "medidas" de Nossa Senhora usadas pelos toureiros, medalhas, ourivesaria, objetos de adorno, em que o conteúdo etnográfico se impõe ao valor decorativo ou estético da elaboração popular.

Enquanto na representação bidimensional, a iconografia se fixa no momento em que D. Fuas sustenta a pata do cavalo no extremo do promontório, na escultura assiste-se a uma evolução ao longo dos séculos. As primeiras figurações incluíam a representação do cavaleiro, mas, sobretudo a partir do séc. XVIII, a imagem cultuada apenas inclui a Virgem, erguida ou sentada, com as cabeças de anjos aos pés, amamentando o Menino e por vezes sustentando nas mãos a esfera do Mundo.

Já sem fins devocionais, mas certificando a permanência e o alcance identitário deste culto mariano em meados do século XX, encontramos os frescos de Almada Negreiros (1893-1970) para a Gare Marítima de Alcântara (1943-1945), em Lisboa, com um painel dedicado a "D. Fuas, almirante do Tejo, 1º Almirante da Esquadra do Tejo".

Natural da Nazaré, MÁRIO BOTAS não poderia deixar de representar este milagre, numa composição aguarelada de 1981-82, que se diferencia pela inscrição da pequena imagem mariana na gruta.

Esta pintura, comprada pelo Museu Dr. Joaquim Manso ao artista, é das suas raras representações de temática local, entre uma obra contaminada pelo mítico, o onírico e o histórico, que dá corpo a um universo avesso a classificações na pintura portuguesa.

Por aqui em parte reside a singularidade deste trabalho, cuja iconografia advém de uma tradição multissecular, mas que é escolhida pelo artista na ponte entre as suas próprias raízes identitárias e a atmosfera simbólica que sempre evocou.

Ler também "A Biblioteca sugere". 

Um desenho de Almada Negreiros


Almada Negreiros (1893 – 1970)
Sem título, 1933
Tinta-da-china sobre papel
ass. e dat.: almada / 33
Doação de Pedro Manso Lefèvre, 1977
MDJM inv. 101 Des.

O percurso de José de Almada Negreiros cruza-se diversas vezes com a Nazaré, na sua abordagem a temáticas piscatórias e religiosas. Entre os frescos pintados para a Gare Marítima de Alcântara (1943-1945), em Lisboa, Almada dedica um painel a “D. Fuas Roupinho, 1º Almirante da Esquadra do Tejo”. No plano superior, a iconografia do milagre de Nossa Senhora da Nazaré patenteia a eleição e alcance identitário deste culto mariano, na sua articulação com os mares e os pescadores, estes últimos representados no plano inferior, na labuta ou no descanso da faina.

Anos antes, Almada realizara a capa do programa da primeira “Festa do Mar” na Nazaré, a 10 de setembro de 1939. O evento contou também com a participação do pintor Guilherme Filipe e dos escritores Hipólito Raposo, Afonso Lopes Vieira e Joaquim Manso.

A ligação com este último, expressou-se por uma profícua relação profissional que estreitava a amizade entre ambos. Em 1921, Joaquim Manso (1878-1956) funda o “Diário de Lisboa” que, no meio da imprensa da época, constituiu um veículo privilegiado de divulgação e debate de ideias e de autores modernistas. Desde o primeiro número, Almada Negreiros colabora assiduamente neste periódico. São também de Almada as ilustrações para as seguintes publicações de Joaquim Manso: “Fábulas” (1936) e “O Pórtico e a Nave” (1943).

No desenho da colecção deste Museu, dentro do seu habitual trabalho gráfico, em traços sintéticos, Almada Negreiros define um grupo de pessoas numa embarcação a remos, num enquadramento a partir do alto mar. Uma criança, debruçada sobre o bordo da embarcação, apanha um peixe com a mão. Em segundo plano, à distância, pressente-se o ponto de partida num conjunto paisagístico sumário, constituído por casario, igreja e farol.

Sobre este trabalho doado ao Museu da Nazaré em 1977, pelo filho de Joaquim Manso, não se conhece o motivo da sua realização ou a razão específica pela qual integrou a colecção do jornalista, que construíra uma casa de veraneio nesta vila piscatória e balnear, posteriormente doada ao Estado pelo seu amigo e construtor civil Amadeu Gaudêncio, para aqui se instalar um Museu Etnográfico e Arqueológico da Nazaré.

No entanto, sendo ou não sobre a Nazaré, neste pequeno desenho encontramos o MAR. O mar enquanto viagem, ponto de encontros e de fugas, de chegadas e partidas… 


Álvaro Laborinho, Festa do Homem do Mar, 1939
MDJM inv. 1933 Fot.
Álvaro Laborinho, Festa do Homem do Mar, 1939
MDJM inv. 1935 Fot.
Programa da Primeira "Festa do Mar", 1939
















Em exposição, do espólio do Museu, estão igualmente edições de Joaquim Manso ilustradas por Almada Negreiroscorrespondência entre ambos datada de finais dos anos 1920 / 1930 e de 1943.

Com a colaboração da Biblioteca da Nazaré, inclui-se ainda um desdobrável original do programa “Festa do Mar” de 1939.

Mais fotografias de Álvaro Laborinho sobre a "Festa do Mar", no MatrizNet.


Avental de Festa


Avental de Festa, 1936
alt. 73 cm; larg. 115cm
Cetim fulgurante
Doação da autora, Celeste Lúcio dos Santos, 1974
MDJM inv. 248 Etn.


Na Nazaré, por altura da Páscoa, sempre foi com orgulho que se vestiu o “traje de festa”. Como peça fundamental do traje feminino, emprestando-lhe cor e riqueza, para esta época as mulheres reservavam os seus melhores aventais, que exibiam com certa vaidade, muitas vezes bordados à mão pelas próprias.
É exemplo deste avental, que pertenceu a Celeste Lúcio dos Santos (1902-1997), natural do Sítio da Nazaré. À semelhança de tantas outras jovens nazarenas, dedicou-se à costura desde nova, mas eram os bordados que mais a atraíam. “Sabia quase todos os pontos à mão”.
Ensinou à filha, Maria Celeste Lúcio de Oliveira Marques, tudo o que sabia. Ao lado da mãe, ainda rapariga, também ela começou a bordar os aventais, o que ainda hoje faz por encomenda.
Os clientes eram muitos: mulheres que pediam aventais para quando os maridos chegassem da pesca do bacalhau (em Outubro), outras para as Festas de N. Sra. da Nazaré (8 Setembro), ou para o Natal. Estas eram as datas de maior trabalho.


José Soares, Cabeça de nazarena

   



José Soares (n.1922)
Cabeça de nazarena, anos 1960
Óleo sobre papel
MDJM inv. 64 Pint.


No mês de Março, destacamos a pintura "Cabeça de nazarena", do autor local José Soares. Em pinceladas largas e espontâneas, sugere-se o rosto de uma nazarena, envolta pela capa tradicional.
José Soares, escritor e estudioso da cultura local, publicou vários trabalhos sobre a história, costumes e tradições da Nazaré, privilegiando um contacto estreito com artistas e intelectuais que frequentavam esta praia em meados do século XX. Esta proximidade incitou uma vontade de desenvolver algumas experiências no campo pictórico, de que resultaram pequenas composições, ainda pouco divulgadas e de que o Museu Dr. Joaquim Manso conserva alguns exemplares, como este pequeno óleo.

José Soares da Conceição, carinhosamente tratado por “Zé Soares”, é uma referência na Nazaré, pelo seu saber e vasto entendimento sobre a cultura e identidade local.
Nascido na Nazaré, em 24 de maio de 1922, filho de gente do mar, do seu percurso e experiência de vida resultaram o gosto pela investigação em vários domínios sócio-culturais, tendo como rumo uma melhor compreensão das raízes e contexto patrimonial desta vila piscatória.
A sua atividade como técnico de turismo proporcionou-lhe um contacto privilegiado com a realidade local e uma proximidade com figuras de prestígio das Artes e das Letras que, por motivos profissionais ou atraídos pelas singularidades das gentes e costumes da Nazaré, aqui se fixaram temporariamente.
Com uma forte intervenção a nível comunitário, ao longo da sua vida, José Soares dedicou especial atenção ao tecido cultural da vila. Do contacto com Branquinho da Fonseca (1905-1974), que permaneceu alguns anos na Nazaré nas décadas de 1930-40, como Conservador do Registo Civil, sobressai a partilha de informações que terão contribuído para o seu romance “Mar Santo” (1952). Sendo Branquinho da Fonseca fundador da Biblioteca da Nazaré, a José Soares se deve a sua recuperação e reativação, em 1972.

Banda Infernal do Sítio













Banda Infernal do Sítio
Foto Laborinho, 1965
MDJM inv. 3232 Fot.

“E os grupos cruzam-se, as bandas infernais surgem de todos os cantos, irrequietas, subindo e descendo, parando para bailar, bailando para cantar, bailando para esquecer – ah amigos! – esquecendo para sofrer, sofrendo para comer, e sempre vivas, exuberantes, vozes como pendões, até às tantas, como se quisessem rir e cantar até à loucura. O espectáculo é para eles – esquecer e desabafar.”

Alves Redol, in A Nazaré na obra de Alves Redol, MDJM, 1980



Bandas Infernais
As bandas infernais são uma das vertentes mais caraterísticas do Carnaval da Nazaré e a sua origem deve remontar aos princípios do século XX.

A origem
Segundo José Maria Pequicho (n. 1935), atual maestro da Filarmónica da Nazaré, a denominação “Banda Infernal” provém do nome da música/marcha tocada nas manhãs do Domingo Gordo.
Permanece ainda na memória o Silvestre dos “Bichinhos”, siteiro que morava na “Rua de Cima” e que aparecia no domingo de Carnaval, de madrugada, percorrendo as ruas, a tocar pífaro, entoando uma determinada música conhecida por “marcha infernal”. Nos anos seguintes, foram-se juntando a ele outras pessoas (apenas homens), também elementos da Banda Nazarense, do Sítio, que, com outros instrumentos, aperfeiçoaram a música.
Esta banda percorria as ruas do Sítio e da Praia, tocando o refrão daquela marcha. Só desenvolvia a composição musical, conhecida por “hino”, quando as pessoas ofereciam alguma moeda. Se o donativo fosse substancial, tocava o “hino” duas vezes. O grupo passou a ser conhecido por “banda infernal”, estando na origem das actuais “bandas infernais” (cerca de 18).
Se, primitivamente, a “banda infernal” utilizava instrumentos musicais, os grupos seguintes, sobretudo os da Praia, recorriam a outros objetos para “fazer barulho” e atingir o principal objetivo: acordar a população, convidando-a para a festa.
Formadas principalmente por homens, havia também “bandas infernais" mistas, compostas por homens, mulheres e crianças. Na generalidade, eram de formação espontânea. Os “ensaiados” (mascarados) reuniam-se em grupos que, munidos de bombos, tachos e panelas velhas, tudo faziam para provocar barulhos estridentes e ensurdecedores.

Na atualidade
Este costume prolongou-se até aos nossos dias, adquirindo uma expressiva movimentação social. Em formações separadas (masculinas e femininas), mas já com uma certa organização, as bandas passaram a ser conhecidas pela denominação, vestes e músicas, surgindo um salutar espírito de competição que anima o período anterior à semana de Carnaval.
A mulher adquire, agora, um papel predominante e confere às bandas um novo “visual”, mais cor e fantasia, substituindo tachos e panelas por tarolas, pandeiretas e outros instrumentos musicais.
Cada “banda infernal”, em reuniões sucessivas, concebe um figurino (confecionado pelos próprios   elementos ou por costureiras locais e para cerca de 3 anos ) e elabora a sua marcha com letra satírica inspirada na realidade nazarena. Um mês antes do Carnaval, as marchas de todas as “bandas infernais” e grupos carnavalescos são publicamente anunciadas e divulgadas, incentivando a população até ao Entrudo.
Chegada a manhã do Domingo Gordo, as ruas do Sítio, da Praia e Pederneira enchem-se finalmente das “bandas infernais”. Vestidas a rigor, é então o tempo de desfilarem, cantando e dançando, para divertimento de toda a Nazaré. Como concluiu o escritor Alves Redol, “O Carnaval é folguedo, pois folguemos todos”!

Ouvir / Ver

"Marcha Infernal"
Músico: José Maria Mota Pequicho
Nasceu na Nazaré, a 28 de Fevereiro de 1935. Aprendeu música na Banda Nazarense, aos 7 anos, e começou a tocar trompete aos 15 anos. Formou a Banda do Planalto, depois Banda D. Fuas Roupinho e, actualmente, Filarmónica da Nazaré onde é maestro.
Gravação 26 Janeiro 2012, Museu Dr. Joaquim Manso.

Ler mais "Objeto Mês de Fevereiro 2011" (Marchas e São Brás) e "Objeto Mês de Fevereiro 2010" (Grupo Carnavalesco).

Cabaz de peixe











Cabaz de peixe
Pertenceu a João de Deus Estrelinha,
proprietário da traineira “Estrelinha”
Oferta de Emílio Vasco, 2000
MDJM inv. 2091 Etn.


Cesto utilizado pelas cabazeiras, no transporte de pescado desde a traineira “Estrelinha” até à lota.
A letra “E” pintada a preto identifica o seu proprietário, o pescador João de Deus Estrelinha, assim como as manchas vermelhas (a sua cor) pintadas nas faces mais estreitas. No interior, ainda apresenta vestígios de escamas de peixe.

Ser cabazeira era um dos trabalhos mais árduos para a mulher da Nazaré. A sua função era fazer chegar o pescado do barco à lota.
Para esta actividade, as mulheres inscreviam-se na Capitania do Porto da Nazaré, que lhes atribuía uma cédula com o respectivo número.

As cabazeiras começavam a tomar lugar no areal da praia, logo pela noite, chegando a passar aí grande parte do seu sono, não só para estarem presentes a qualquer hora de chegada das embarcações do mar, mas também para terem vantagem na fila de espera e serem as primeiras a serem chamadas para o transporte de cabazes.
Para a organização do trabalho, havia a “mestra”. Há memória da Rosa Lourenço Antunes, vulgarmente designada por "Rosa da Galeana", e conhecida pelo seu espírito de disciplina e liderança.

O trabalho desenvolvia-se do seguinte modo: quando as embarcações chegavam "à bord' àgua", eram puxadas pelos bois (posteriormente, pelos tractores) para "o topo" (areal). Aí, os "homens da redada" (companheiros do barco com essa função) davam sinal e iniciava-se o transporte do pescado. 
Então as mulheres, sob orientação da “mestra”, em fila indiana, carregavam à cabeça geralmente dois cabazes de cada vez (cada cabaz equivalia a 20 Kg) e, em passo apressado, muitas vezes de corrida, levavam o peixe para a lota. Depois, regressavam novamente, tomando o último lugar da fila, para novo transporte. Quantos mais cabazes transportassem, mais ganhavam.
A cada cabaz transportado correspondia uma senha identificativa da embarcação, do respectivo proprietário, com indicação da quantia referente à condução do peixe.
O pagamento às cabazeiras era efectuado na taberna indicada pelo proprietário da embarcação. Por sua vez, a “mestra” não tinha uma remuneração definida e nunca acartava. A sua compensação económica resultava do transporte de cabazes que cada cabazeira, de tantos em tantos cabazes, tinha que carregar para ela. 
Os cabazes eram feitos de compridas e largas tiras entrelaçadas, com cerca de 38x30x27cm, e duas asas feitas de corda que se ligavam ao interior do cabaz através de grossos nós. Tinham pintadas as letras iniciais da embarcação a que pertenciam.

Este sistema de condução de pescado para a lota deu lugar ao transporte em carrinhas. Actualmente, segue-se o sistema moderno da descarga do peixe no Porto de Abrigo da Nazaré e respectiva venda na lota.

O trabalho das cabazeiras inspirou vários artistas, não só na fotografia, como Artur Pastor, como também na literatura, como Alves Redol (ler).

Celeste Vasco da Silva é uma das muitas cabazeiras que animavam o areal da Praia da Nazaré até aos anos 1970, e cujo nome encontramos entre os registos da Capitania, na época obrigatório. As suas memórias estão também patentes nesta exposição do Objecto do Mês, no Museu Dr. Joaquim Manso.

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