Medidas de pevides
madeira
Nazaré, meados séc. XX
MDJM inv. 1256 e 1782
As “medidas” são recipientes quadrangulares utilizados na venda de cereais, sementes ou legumes secos. Cada “medida”, de dimensões diferenciadas, corresponde a determinado peso e preço do produto.
No âmbito dos estágios realizados no Museu Dr. Joaquim Manso durante o mês de Junho, três alunas da Escola Profissional da Nazaré, Ana Rita Esperança e Fabiana Cruz (do Curso Técnico de Organização de Eventos) com a ajuda da Iara Valnove (do Curso Técnico de Turismo), dedicaram-se ao estudo da actividade comercial das conhecidas "Pevideiras" ou "Senhoras das Pevides" do Terreiro, junto ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré e do Museu.
Entrevistaram Albertina Polaco, Carolina Figueira, Filomena Saldanha, Isabel Anastácio Matias, Maria da Conceição Canhoto e Maria Luísa e concluíram que, entre os produtos mais vendidos, se contam os tremoços e as pevides, assim como os percebes, comercializados actualmente por sete mulheres de diversas idades. O pinhão é o artigo mais caro e, entre os mais baratos, destacam-se os tremoços.
A venda efectua-se recorrendo às “medidas”, de várias capacidades, que são objecto regular de fiscalização. À Confraria de Nossa Senhora da Nazaré pertence a responsabilidade de controlar e conceder os locais de venda.
Foquim
Foquim Seminho
SeminhoCortiça
Doação de Álvaro Águeda, 1976
MDJM inv. 734 Etn.
Em Março, associado à comemoração do Dia Mundial da Floresta, o Museu Dr. Joaquim Manso evidencia a utilização de materiais oriundos da natureza na pesca tradicional, destacando o seminho.
Ao longo da costa portuguesa é muito utilizado este tipo de flutuador. Trata-se de uma bóia, constituída por cortiças enfiadas umas nas outras através de fio de sisal ou nylon, e que se destina a aliviar o peso dos cabos das redes, sobretudo da arte xávega, onde complementa esta arte a par dos odres e dos ferros.
De acordo com os vários regionalismos, é também denominado de semino ou smin.
Marcha de Carnaval 1978
Rua da Nazaré, de Abílio
Rua da Nazaré, 1943
Guache sobre papel
MDJM inv. 124 Pint.
Abílio Leal de Mattos e Silva nasceu no Sardoal em 1 de Abril de 1908. Concluídos os estudos liceais em Coimbra, iniciou o curso de Direito em Lisboa acabando, porém, por optar pela função pública.
Fixou-se na Nazaré em 1931, aqui permanecendo até 1936. Datam deste período as obras mais antigas; definem a fase em que a sua pintura começa a manifestar-se de forma mais assídua, ao que não será estranho o estimulante convívio com os pintores portugueses e estrangeiros que com ele partilhavam a forte sedução ambiental da vila.
A pintura “Rua da Nazaré” insere-se nesta temática. Abílio realizou inúmeros desenhos, guaches e óleos com motivos atentos às pessoas e vivências, mas frequentemente enquadrados no casario desta vila piscatória. Deixou também um exaustivo estudo sobre o Traje Tradicional da Nazaré, acompanhado por ilustrações pormenorizadas, que fazem parte do espólio do Museu Dr. Joaquim Manso
Nazaré terá sido o princípio, Óbidos, a continuação. Com efeito, a actividade de Abílio prolonga-se durante as férias no velho burgo, cuja paisagem desenha e pinta durante muitos anos, tendo-nos ficado dessa actividade uma vasta e significativa produção.
Em Lisboa, onde passa a residir em 1936, participa em exposições colectivas e colabora na revista "Presença" e noutras revistas e publicações oficiais. Como grafista, executa numerosos trabalhos para organismos de Estado.
Com a peça "Tá-Mar", de Alfredo Cortez, inicia uma longa e notável carreira como cenógrafo e figurinista, traduzida em incontáveis realizações no domínio do Bailado, da Ópera e do Teatro declamado e ligeiro.
No Ministério da Economia desenvolve intensa actividade como ilustrador e designer, tendo sido condecorado pela acção desenvolvida em exposições organizadas no estrangeiro. É, cumulativamente, director de cena do Teatro S. Carlos, onde levou a efeito algumas das suas mais importantes realizações cénicas.
Obras Publicadas: "Óbidos, vila antiga de Portugal" (desenho), "O Trajo da Nazaré", "30 Anos de Teatro" (catálogo). Quando faleceu, tinha em preparação um álbum sobre Óbidos.
Cerco Republicano
A miniatura reproduz a embarcação original N 672 G, cuja data de registo é 23 Setembro 1913. Era propriedade da “Sociedade Cerco Liberal” e destinava-se a serviço de pesca com “cerco americano”.
Tinha de comp. 10 m; boca 3,30 m; pontal 1,10 m e T.B. 8,712 t.
A embarcação original foi abatida em 1929.
No período que antecedeu o 5 de Outubro de 1910 e durante a I República, alguns barcos registados na Capitania do Porto da Nazaré revelam a ideologia republicana dos seus proprietários, de que é exemplo este galeão que pertencia ao “Cerco Liberal”, também conhecido por “Cerco Republicano” ou “Papa -Charutos”:
Duarte Pacheco – Batel das armações valencianas N 474 V, registado a 14 Maio 1906. Propriedade “Rosa e Comandita”. Em 21 Maio 1912, passou a pertencer a Cândido Rodrigues e C.ª (filhos).
Bernardino Machado – Barca de cerco americano N 503 G, registada a 21 Setembro 1908. Propriedade de “Sociedade de Cerco Americano Igualdade” – Álvaro, Ascenso, Vidinha e Comp.ª.
Guerra Junqueiro – Barca de cerco americano N 504 G, registada a 21 Setembro 1908, ao serviço do Cerco Americano “Igualdade” – Álvaro, Ascenso, Vidinha e Comp.ª.
António José d’Almeida – Barca de cerco americano N 513 G, registada a 15 Novembro 1908, o serviço do Cerco Americano de Álvaro, Ascenso, Vidinha e Comp.ª.
Pinheiro Chagas – Batel das armações valencianas N 696 V, registado a 18 Maio 1914. Propriedade “Parceria Fraternidade”.
República – Galeão de cerco americano N 711 G, registado a 17 Setembro 1914. Propriedade da Firma Santos Amaral e C.ª. Destina-se ao serviço de pesca com o cerco americano “Alexandre”.
No ano de 1910, registaram-se na Capitania do Porto da Nazaré: 19 barcos de Arte Xávega, 10 batéis de pesca da lagosta, 5 embarcações de cerco americano, 2 embarcações de Armação Valenciana e 1 embarcação de Armações Redondas.
Primeira Comissão Republicana da Nazaré, 1907
Grupo da Primeira Comissão Municipal Republicana da Nazaré, 1907
MDJM inv. 915 Fot.
Em momento de celebração do Centenário da Implantação da República, o Museu Dr. Joaquim Manso evoca esta época revolucionária na Nazaré.
Ainda durante a Monarquia, várias figuras da Nazaré aderiram ao crescente movimento republicano, desenvolvendo numerosas acções no sentido da divulgação dos novos ideais e da possível implantação da República.
Fizeram-se os primeiros comícios e conferências, trazendo à localidade alguns nomes que ainda perduram na memória colectiva, como Ramada Curto, conhecido advogado, Pires de Campos, Afonso Ferreira, Lopes Pelago e o general Estrela de Leiria.
Dos locais distinguiram-se, entre outros, António Gomes Ascenso, presidente da Comissão Republicana da Nazaré, José Pedro, Álvaro Laborinho, Joaquim Brilhante, Albertino Victorino Laranjo e Teixeira Freire.
A Comissão Administrativa em 1912 era composta por João Duarte Vieira, farmacêutico; Manuel Ferreira Canadas, comerciante; Joaquim Baptista Laranjo; comerciante; Fortunato da Silva Pimpão; comerciante; Armando Laborinho, comerciante e João de Sousa Júnior, também comerciante.
A primeira bandeira republicana na Nazaré regista-se em Dezembro de 1910, por iniciativa e oferta de Alfredo Santos, sócio da fábrica de conservas “Alfredo Santos & Bravo”. A cerimónia teve lugar na própria fábrica, onde foi içada a nova bandeira portuguesa, verde e rubra.
Após insistentes pedidos aos órgãos de governo competentes e que remontam ainda ao tempo da Monarquia, em 1912, por decreto de Manuel de Arriaga, o concelho da Pederneira passa a denominar-se “concelho da Nazaré”. Manuel de Arriaga (1840-1917) foi Presidente da República Portuguesa, entre 1911 a 1915, e também cultor da poesia e da literatura. Desde fins do século XIX, Manuel de Arriaga era amante da Nazaré, aqui passando férias e dedicando-lhe alguns belos poemas. A Nazaré, por sua vez, recorda Manuel de Arriaga na sua toponímia – Praça Manuel de Arriaga.
Com a República, esta vila piscatória conhece alguns melhoramentos sócio-culturais, nomeadamente na educação, no teatro e na organização de actividades ligadas à cultura. Celebram-se as festas do “Dia da Árvore” e o espírito republicano reflecte-se em vários aspectos do quotidiano piscatório, incluindo nos registos de embarcações, cujas denominações evidenciavam a matriz política dos seus proprietários. Citam-se como exemplo as embarcações “Bernardino Machado”, “Guerra Junqueiro” e “António José d’Almeida” (1908), “Cerco Republicano” (1913), “Pinheiro Chagas” e “República” (1914).
Álvaro Laborinho, fotógrafo amador da Nazaré, foi também um republicano convicto, indo propositadamente a Lisboa para oferecer os seus préstimos a António José de Almeida.
Foi um dos intervenientes na fundação do Centro Republicano Português na Nazaré, sendo bastante participativo em várias actividades políticas e na organização de comícios republicanos.
Com o seu olhar fotográfico, registou assiduamente algumas das figuras e momentos emblemáticos vividos na Nazaré durante a época de implantação da República, como a fotografia seleccionada.
Consulte o dossier República. No âmbito das comemorações do Centenário da República, o Museu Dr. Joaquim Manso seleccionou algumas notícias da imprensa nacional constante do seu Centro de Documentação, onde são referidos acontecimentos ocorridos na Nazaré.
Visite a exposição "A implantação da República e a Nazaré", no Centro Cultural da Nazaré, entre 5 de Outubro e 7 de Novembro. Ler mais.

