Menino Jesus dos Toureiros

Menino Jesus dos Toureiros
Madeira policromada
Séc. XIX /XX
Adquirido por liquidação de herança de Tito Calixto, 1991
MDJM inv. 42 Esc.


Curiosa representação escultórica do Menino Jesus vestido de toureiro, relembrando a ligação entre a “festa brava” e a protecção religiosa dos seus protagonistas. Pertencia a Tito Calixto, administrador da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré e verdadeiro “aficionado”, um empenhado coleccionador de publicações e objectos de vertente tauromáquica.

Esta escultura integrou o Museu Dr. Joaquim Manso em 1991, no âmbito da herança do seu proprietário, e encontra-se exposta durante o mês de Setembro, integrada na exposição temporária “Touradas da Nazaré em cartaz: um Percurso pelo Arquivo Histórico”.

Gamela de Banheiro





Gamela de banheiro
madeira
Oferta de Judite Branca Rosa
MDJM 1191 Etn.


Pequeno recipiente em madeira que, nos princípios do século XX, era utilizado pelos banheiros da praia da Nazaré para proporcionarem aos turistas o lavar dos pés após o banho no mar.

Integra esta apresentação do “Objecto do mês” de Agosto um banco de banheiro, emprestado por Agostinho Chalabardo Codinha.

Também as crianças do Baby’s Health Club, das Caldas da Rainha, se debruçaram sobre a temática das Praias, durante as suas actividades de férias. Na recepção do Museu apresenta-se o seu criativo trabalho, realizado com materiais variados, onde se faz a distinção entre uma Praia Poluída e uma Praia Limpa.
Uma forma dos mais novos chamarem a atenção de todos os veraneantes da Praia da Nazaré para os cuidados a ter com a sua preservação e respeito pela qualidade ambiental.


“…A vida da praia principia então. Toda a gente se conhece, toda a gente se falla, toda a gente ri, salta na areia, corre em bandos para o mar, e forma de mãos dadas uma larga linha… em que as ondas são atiradores! (…)
Ao retirar do mar, não se ouve pelas barracas senão a pergunta perdida:
- Quantos mergulhos tomou?
- Três!
- Que cobarde!
- Sete!
- Que valente!
- Doze!
- Que heroe!
Duas horas depois, as barracas desarmam-se; e sahe aquela areia em que mil pés delicados se agitaram, estendem-se canastras, e canastras, celhas e celhas com peixe que os pescadores conduzem. É ali mesmo o mercado e à hora em que expira o império dos banhistas principia o reinado das corvinas e fataças!..”.

Júlio César Machado in O povo da Nazareth (1860)

Cântaro com asa





Cântaro com asa
barro
MDJM inv. 66 Cer

Na Nazaré, a tradição oleira remonta pelo menos ao século XVIII. Há registo de vários fornos construídos pela Real Casa de Nossa Senhora da Nazaré no Sítio, onde, em 1822, estavam em actividade três fornos para cal, telha e louça, orientados por um oleiro que tinha vindo de Alcobaça, o Frei João da Pena.
Entre os vários oleiros que a Nazaré conheceu, desde princípios do século XX, António Mota, e depois o seu irmão Virgílio da Mota, dirigiam uma olaria no lugar vulgarmente chamado por Casal do Mota. Em 1979, esta unidade já tinha parado a sua laboração e o edifício tinha sido posto à venda. Era feito em tijolo e estava equipado com dois fornos (o maior para chacota e o mais pequeno para vidrar a louça), com tanque para o lote do barro, bancadas, duas rodas e instrumentos diversos para o trabalho do oleiro, como os moldes e os carimbos, a gamela de acartar o barro para o tanque, a “cartilha” para decoração, a foice de ferro para amassar o barro, etc.
Antes da sua destruição em Março de 1980, o Museu recolheu um conjunto significativo destes objectos pertencentes à última olaria da Nazaré, dedicada sobretudo à produção de peças para uso doméstico e decorativo, utilizadas pelas gentes locais.

Entre estas peças, destaca-se como “Objecto do Mês” o cântaro com asa, utilizado para transporte da água. Numa época em que não havia água canalizada, as fontes públicas eram um local de encontro feminino por excelência, espaço para troca de histórias e conversas animadas, enquanto se aguardava pela sua vez. Depois, era levar os cântaros até às modestas cabanas e casas dos pescadores, assim se conservando a água fresca e limpa.

Barco do Candil

“Na tarde serena de céu cor-de-rosa os barcos do candil, parados sobre as águas imóveis, acendiam os primeiros fachos, que mal se distinguiam na meia-luz do fim do dia. Eram estrelas amarelas sobre a água, donde subiam colunas de fumo grosso. Já brilhava o farol na ponta do cabo. As luzes dos barcos, como estrelas de oiro, tremeluziam na água, que se tornara escura e profunda.”

Branquinho da Fonseca, Mar Santo (1971)

Barco do Candil "Amor da Beira-Mar"
Tipo de pesca: pesca local de candil com rede de cerco
Embarcação de candil adaptada com armação no painel de popa e ferro para colocar motor de borda fora. A embarcação original pertenceu a Tomé Limpinho da Purificação e Tomé Miguel Limpinho, da Nazaré.
Miniatura
MDJM inv. 1169 Etn


Lancha do Candil "Isabel Lisa Marc"
Tipo de Pesca: Auxiliar do Barco de Candil, na tarefa de colocar a rede e o engodo e projectar a luz na água. A embarcação original pertenceu a António de Jesus Lourenço.
Miniatura
MDJM inv. 1107 Etn

A Pesca do candil pratica-se de noite, com uma candeia perto da água e recurso à rede de cerco. A luz atrai o peixe à superfície; ao ficar encadeado, pode ser mais facilmente apanhado pelo pescador.